Victory (1981)

“Victory” (1981)

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dança aborrecida

Este filme mistura desporto e ideologia, significando isso que o jogo (futebol neste caso) é a metáfora de temas morais e humanos. Aquele que ganha o jogo prova a justiça das suas atitudes. Nazis contra aliados, os nazis fazem batota. À parte de alguma ambiguidade no personagem de von Sydow, não há concessões na maldade dos Nazis. Não há possibilidade de redenção entre eles, nenhum personagem vale a pena. Desse ponto vista, da forma como lida com a perspectiva do público sobre a Alemanha Nazi (não as hierarquias de topo, mas os outros), o filme está exactamente no mesmo nível que filmes como Casablanca. É uma questão do orgulho vencer a maldade, da justiça prevalecer sobre a batota.

O filme começa com a marcação de um jogo de futebol, e termina com esse jogo, por isso todo o filme é a preparação para ele. O jogo é um evento teatralizado, tem lugar em Paris para que possamos ter uma audiência a apoiar o lado “certo”. Em termos dramáticos, isto tem o mesmo efeito que teria uma performance de teatro, ou um discurso público (como se a vitória aliada final fosse o equivalente do discurso de Chaplin no Grande Ditador). Então porque é que este filme falha onde tanto Casablanca e o Grande Ditador funcionavam? Bem, simplesmente porque este é de 1981, a guerra já terminou há muito, o regime Soviético estava já a viver os seus últimos anos reais, e o contexto é totalmente diferente. Já não interessavam declarações desesperadas de honra contra um regima que nessa altura era já de um tempo passado. Não creio que os filmes da 2ª guerra seja um tema morto, ainda hoje saem, renovados e frescos. Mas este apresenta uma abordagem simplista e directa que apenas era justificável durante a guerra, quando o horror nazi estava ainda em curso. Este, no seu contexto e na sua formalização é tão simplista e banal como um filme de propaganda.

O filme representa futebol. Creio que é tão complicado filmar futebol como dança. Mas o futebol foi muito menos usado, por isso temos (ainda) menos soluções interessantes para o filmar. O que se passa é que tanto a dança como o futebol implicam movimento, os jogadores mais elegantes são, eles mesmos, dançarinos, que consideram a bola, o adversário directo, e a situação geral no campo. Para capturar este movimento de forma interessante é preciso confiar numa certa fluidez da câmara. Isto pode ser feito de duas formas: -enquadramentos fixos, onde o movimento do jogador tem de fazer valer o plano (opção segura e aborrecida); -a câmara joga com o jogador, e com os outros elementos, e assim participa na “dança”. Sinceramente, nunca vi esta segunda opção bem feita com futebol. Este filme perde uma oportunidade incrível para o fazer. Isso porque nele participa um dos jogadores mais elegantes de sempre. Alguém que dançava como ninguém antes ou depois dele, não tão fluido como Maradona (ou Messi), mas eventualmente mais excitante no momento do “um para um”. Ele faz alguns truques curiosos para a câmara, mas nenhum é aproveitado de forma interessante pela câmara, e esses momentos perdem-se no aborrecimento geral do filme. Gostava que isto tivesse sido feito bem.

Isto seria apenas um desapontamento menor, mas o que se passa é que este filme foi realizado por alguém que costumava pensar em cinema, para lá de meramente realizar. Huston fez coisas importantes. Mas a verdade é que aquilo em que ele era especial era no lado narrativo, na forma como a história é formada, e como é contada. Para além disso, é sabido que para o final da carreira dele ele foi várias vezes um operário a trabalhar para o cheque. Pena.

A minha opinião: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve