Demolition Man (1993)

“Demolition Man” (1993)

demolition man

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Elegia ao John Rambo e o Passageiro 57

Este filme tem muita piada. Muita mesmo, se o pusermos no seu contexto, e se considerarmos os protagonistas.

O filme tem, claro, um princípio orwelliano. Em geral, isso é sedutor. É o jogo de imaginar sociedades num futuro mais ou menos distante, vivendo numa situação extrema perfeitamente definida – na verdade o modelo original de Orwell era o bem real regime soviético. Um amigo meu alertou-me para o último nome do personagem de Bullock, certamente não uma coincidência. Creio que há duas variáveis na forma como criamos estes mundos. Um é quando vemos, desde o início, o lado maléfico, e a crueldad desse mundo imaginado, e essa maldade está normalmente associada a um regime (político/militar) cruel. Essas versões emanam do 1984 (“V de Vendetta” por exemplo). A outra versão é quando vamos descobrindo as fragilidades e defeitos maiores de um mundo aparentemente positivo, que começa por nos seduzir. Este filme é um desses casos. Assim, temos um mundo aperfeiçoado, em vez de um ditador temos uma espécie de demiurgo (vestido como um e com o nome de um artista importante, alguém que cria). No processo, vamos descobrindo o que está por trás dessas “perfeições” e compreendemos que um mundo perfeito não é necessariamente um mundo humano. É previsível e não especialmente bem escrito, mas o mundo é credível e permite o desenvolvimento da história.

No entanto, para mim tudo isso é acessório. A piada do filme é o lugar que ocupa no contexto dos filmes de acção americanos. Basicamente, este filme e outros da mesma altura, introduzem uma auto-consciência na acção. O filme ri-se da acção americana dos anos 80, e conta com Snipes e Sly para o fazer! Isso é excelente. É nisso que a escrita do filme tira vantagem da realidade futura onde dois tipos da acção do passado (1 bom e 1 mau) são descongelados. Então, neste novo mundo ninguém tem a mínima ideia dos métodos que eles usavam no passado, e eles têm de explicá-los, por isso falam deles todo o tempo. Esses métodos são “bárbaros”, atrozes para esta nova sociedade purificada, por isso as velhas figuras de acção, são chocantes, repelentes (inicialmente). Agora, considerem que isto foi feito em 1993, os anos 80 já tinham desaparecido, as audiências estavam a mudar, e aquele estereótipo Rambo tinha mudado. Isto significa que as pessoas nessa altura (e agora) já não estavam alinhadas com a cena da acção dos anos 80. Assim, Sandra Bullock e os totós do futuro dela são os nossos representantes no filme. Eles vêm a destruição material inútil que Stallone causa com o mesmo nível de incredulidade dos espectadores. Isso é excelente. No mesmo ano, tivemos o altamente desvalorizado “Último Grande Herói”, protagonizado por outro jarrão da acção dos anos 80. O  mesmo jogo, a mesma piada. Estes filmes são importantes neste contexto específico, eles mudam as páginas de um género.

Lembram-se de quando Richard Crenna parodiou o seu coronel do Rambo nos filmes “Ases pelos Ares”? É esse tipo de auto-consciência que eu estou a falar (pena que Stallone não tenha deixado as coisas aí e ande agora a voltar ao Rambo).

Na verdade, muitas coisas neste filme são banais, mas não me importo. Faz-me rir.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve