Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009)

“Harry Potter and the Half-Blood Prince” (2009)

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IMDb

sobre narrativa espacial

Quem viu e continua a ver os filmes Harry Potter e pensa um pouco sobre eles sabe o rumo que eles estão a tomar (ou que é suposto tomarem). O franchising é invulgarmente longo, para filmes que trabalham uma única linha narrativa, ainda mais quando a evolução da idade dos personagens interessa. Começou há 8 anos e vai terminar (supomos) daqui a 2. Por isso temos uma década com os mesmos personagens. Mais do que isso, uma década com os mesmos espectadores. É esse o truque, cada filme não tenta conquistar novas audiências, ao invés tenta chegar às mesmas que viram os filmes anteriores. Claro que novos públicos são bem-vindos, mas reconquistar os regulares (que já começaram com os livros) parece ser o objectivo principal. Por isso é que cada novo filme é mais “negro” que o anterior, porque o primeiro deveria ser apelativo para alguém com, digamos, 10 anos, e o último deverá ser consumível por alguém com 20. É uma ideia interessante, e que aparentemente permitiu a cada novo filme ser rentável apesar da longa duração dos personagens. Também, suponho, é por isso que Chris Columbus saíu do barco depois do terceiro, ele tem uma imaginação calibrada para chegar às crianças, e “famílias”, no processo. Quando Columbus saíu, eles tiveram problemas em substitui-lo, e creio que os 2 filmes antes deste são desastres totais. O último, especificamente, é uma confusão total em todos os temas. Bem, Yates deve tê-lo visto muitas vezes e compensou em parte as coisas aqui.

O que temos aqui melhor do que tínhamos nos outros 2 é uma certa construção da tensão de cena para cena. Eles compreenderam que não têm bom drama entre mãos, os livros são demonstrações curiosas de pedaços apelativos de mitologia, mas que está enraizada em aventura e fantasia adolescentes, e isso não pode ser mudado. Por isso eles escreveram o filme de acordo com as possibilidades que tinham. Isso torna-o tolerável nesse aspecto. Bem, a grande forma é absolutamente inexistente. O filme é uma colecção de capítulos soltos, as ligações débeis que o livro (suponho) dá estão ausentes e por isso o filme funciona como pura ilustração de certos momentos da história. Mas em geral, cada episódio é minimamente competente.

Mas há algo realmente bom aqui. É a exibição do espaço através da escolha do enquadramento. O que quero dizer é que o espaço está presente, é usado como um importante (o mais importante?) manipulador da dinâmica dramática, significando isto que cada cena tem uma vida pela forma como está enquadrada, No espaço. Colecciono exemplos de como o espaço é usado em cinema e este é um bom exemplar, que usa o espaço de uma forma rara, através do enquadramento. A magia acontece pela colocação exacta de elementos no primeiro e último planos (objectos, elementos da arquitectura como portas ou paredes) assim como na forma como os personagens surgem no espaço (e onde). Este filme fá-lo bem. A verdadeira tensão nas cenas está na forma como são construídas espacialmente. Como espectadores, somos levados a crer que é a história, o diálogo dos personagens que nos faz sentir desconfortáveis, ou arrebatados, mas é o espaço, neste caso manipulado pelo enquadramento.

Até agora, nos 6 filmes que temos, há 2 que interessam pelo que fazem com o espaço: o Azkaban de Cuarón e este. Cuarón é um tipo que se move no espaço e através do espaço, seja pendurado em personagens, seja livremente, pelo espaço em si. Esta versão depende da encenação do espaço e de encontrar o enquadramento adequado e significativo (neste caso num espaço que podia e foi manipulado previamente). Pessoalmente, prefiro o que faz Cuarón, mas realmente adorei esta versão, que me surpreendeu positivamente. (Orson Welles dominou os dois tipos de exploração, e podia usar ambos no mesmo filme, mudando o modo! isso é único).

A minha opinião: 4/5

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2 Responses to “Harry Potter and the Half-Blood Prince (2009)”


  1. 1 Nothingman Agosto 20, 2009 às 8:28 pm

    Indiquei o 7 Olhares para um selo lá no blog!

    Parabéns! ;)

  2. 2 Tiago Agosto 22, 2009 às 10:28 am

    Boa análise…ponto de vista interessante para um dos meus filmes predilectos


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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve