Natural City (2003)

“Natural City” (2003)

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mundo de papel plano

Nos meus comentários, por várias vezes referi o interesse que me desperta o cinema coreano actual (ainda não me sinto confortável para investigar o seu passado). Nos últimos anos, penso que alguns dos melhores filmes que se fazem são coreanos. Entre a vasta produção do país, temos 2 realizadores com quem me comprometo seriamente. Tenho pensado nas razões deste interesse porque os filmes coreanos sempre me despertam interesse, mesmo quando são maus. Para já, penso que o cinema coreano reflecte a cultura coreana. E essa cultura baseia-se num balanço rigoroso entre valores ocidentais e orientais. A Coreia, em muitos aspectos, é um país aparentemente governado por princípios ocidentais. No entanto, na raiz, é uma cultura oriental, com o mesmo berço do Japão ou da China. Por isso estes filmes que eu aprecio, para lá das suas próprias características, reflectem este balanço, e em essência duas visões de sociedade totalmente opostas.

Por vezes os filmes usam mais uma construção espiritual coreana, que para mim é ainda oriental no seu núcleo. Outras vezes, os filmes tentam maravilhar ao superar as estruturas narrativas ocidentais. Kim Ki Duk e Wook Park são os melhores exemplos em cada extremo. O motivo porque menciono isto é porque este filme está totalmente inserido neste contexto. Mas aqui o equilíbrio cai totalmente para o lado ocidental, e não o faz de forma satisfatória. O filme segue a cosmologia de Blade Runner, na forma como o mundo funciona, na forma como as pessoas desse mundo encaram a própria realidade do mundo e mesmo na forma física desse mundo. Mas onde Blade Runner tinha a ver com questões de memória, sonho-real, versões paralelas e constante redefinição de realidades, aqui tudo isso é trocado por uma história de “amor” puro. Nenhuma da ambiguidade de Dick, ao invés uma história plana telenovelesca acerca de um homem que ultrapassa as rejeições e se compromete a salvar a sua amante proibida, uma “replicante” que morrerá em breve. Não há truques na forma como a história se desenrola, não há surpresas para nos maravilhar, não há origamis aqui. De qualquer forma, também não temos o olho para a grande escala de Ridley Scott ao serviço da visão de Phil Dick. Temos uma mera celebração de cenários grandes, mundos estranhos (que não são fascinantes, já agora), e uma câmara lenta à maneira de Matrix. Há pouco que ver aqui.

A minha opinião: 2/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve