Cockfighter (1974)

“Cockfighter” (1974)

cockfighter

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fundo branco

Tenho uma grande simpatia pelo tipo de cinema que a que este filme aponta. Respeito as intenções, gosto sempre de viver os ambientes que filmes como este tentam criar. Mas quando este tipo de filme falha, nunca é um falhanço glorioso, nem interessante. As coisas deslizam para campos aborrecidos e vazios.

No que toca à direcção e, para mim, actuações, este filme falha totalmente. Não porque seja incompetente, simplesmente porque não é cativante, não há uma ideia visual que Hellman tente explorar. Este é o seu único filme que vi até agora; aqui ele liga a narrativa ao personagem, o actor (que entra também em vários dos seus outros filmes). É o que certos críticos definem como “estudar um personagem”. Bem, eu acho que isso pode ser feito, se o personagem for interessante, e isso depende do quão interessante é o actor, como actor e como pessoa. Isto reduz drasticamente as possibilidades de ter sucesso com este tipo de filme. Para mim, Warren Oates não é suficientemente interessante para eu o seguir voluntariamente. Isto tornou o filme desinteressante no seu conteúdo, que é a vida de um simplório treinador de galos.

Mas algo redime todas as falhas. a cinematografia é discreta e linda em vários aspectos. Almendros era um dos cinematógrafos que magistralmente conseguia afastar-se do protagonismo e ainda assim construir um ambiente valioso no qual queremos entrar. Em parceria com Truffaut ele deu-nos alguns momentos impagáveis de fotografia minimal, no sentido em temos transcendência a partir de um certo “naturalismo”. Impressionante. Se virem este filme poderão ser levados a crer, como eu fui, que há partes nele que são trabalho burocrático que Almendros teve de fazer para narrar o personagem aborrecido que Hellman propõe, mas outros momentos são brilhantes e merecem ser vistos. Entre esses momentos estão as lutas de galos. Os grandes planos dos galos são lindos, e uma edição cuidada faz as cenas de luta realmente pesadas e duras. Os cenários interiores, quando associados a intimidades, são sempre confortáveis e evocam um certo ambiente. À parte dessas cenas, vocês vão querer ver uma específica: é junto a um lago, o protagonista e a sua amante acariciam-se, e falam sobre a sua vida e relação. O plano começa como um grande plano das suas caras, sobre um fundo totalmente branco. Depois a câmara lentamente abre o plano, revela o ambiente, e é aí que percebemos o lago. Tudo isto é feito com uma subtileza que é raro ver. Este plano ficará comigo por muito tempo.

A minha opinião: 3/5 vejam-no, pela cinematografia, apenas.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve