Before the Devil Knows You’re Dead (2007)

“Before the Devil Knows You’re Dead” (2007)

devil knows

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tragédia harmónica

Várias coisas neste filme podem, e foram, celebradas, em níveis diferentes. Algumas são competentes, outras bastante interessantes, e uma outra notável.

Encontramos aqui um realizador no seu melhor no que toca a explorar actores. Ele empurra onde sabe que pode e deve empurrar, e atinge picos de intensidade útil que poucos realizadores conseguem atingir. Hoffman é uma escolha natural para o tipo de trabalho que Lumet faz.  Ele é um dos actores mais concentrados e conscientes, e o que ele faz aqui é coerente e pontuada por momentos eternos. Um desses momentos (o histerismo que rebenta no carro, com Tomei) depende totalmente dos dois actores, e Lumet teve apenas que escolher os momentos mais expressivos de cada actor. Mas há outra cena que é uma colaboração linda entre Lumet e Hoffman: o monólogo na casa do traficante de droga. Aí, temos um actor transcendente, e o realizador de ’12 angry men’: centrado nos personagens, mas ainda assim espacial. É essa consciência espacial que me faz ir para os filmes de Lumet. Não há um único cenário interior que não seja considerado, quer haja movimento ou não. Reparem, é o personagem e não o espaço que determinam o movimento, o ritmo, o tom. Mas o espaço é totalmente explorado para o servir. Creio que temos isso em alguns momentos com Antonioni, mas ninguém o faz de forma tão consistente como Lumet o fez ao longo da sua carreira.

Por mais de uma vez disse que não gosto de Ethan Hawke. A entrevista que ele dá no making of deste filme sublinha os motivos pelos quais não gosto dele. Mas admito que ele encaixa bem na tapeçaria melodramática que Lumet teceu aqui. Uma vez mais, tal como em ‘Great Expectations’, ele é tão inconsciente acerca do que quer que seja como o seu personagem, mas aqui ele compreende o ritmo. Suponho que Lumet deverá ser reconhecido também por isso.

O outro ponto que interessa é a forma como a narrativa está modelada. O que temos aqui vem na linha do que Iñarritu/Arriaga fizeram, eventualmente algum do trabalho de Figgis. Não avança nada em relação ao que eles fizeram, mas é impressionante a forma como Lumet compreendeu a evolução da forma como se contam histórias e colocou o seu talente cinematográfico ao serviço dessas evoluções. Que evolução é essa? Basicamente, é a consideração de um mundo complexo em que não seguimos uma simples linha, ao invés seguimos várias, que se intersectam, cada uma com o potencial de afectar todas as outras. É uma questão de considerarmos a harmonia de 3 melodias diferentes sobrepostas, em vez de seguirmos apenas uma delas. É isso que o cinema tem feito.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve