L’homme qui aimait les femmes (1977)

“L’homme qui aimait les femmes” (1977)

homme

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detalhes narrativos

Esta é uma das criações mais interessantes de um homem que passou a sua carreira e vida a questionar a própria criação cinematográfica e o que ela significava em cada momento. Depois da aventura da nova vaga francesa dos anos 60, Truffaut evoluiu e, para mim, começou a produzir o seu trabalho mais lúcido. Basicamente ele criou alguns filmes que são ensaios sobre cinema, assim como rascunhos autobiográficos dos seus pensamentos.

Assim, temos um filme sobre contar histórias. Um mulherengo que escreve a história da sua vida. Cada mulher nessa vi é, em si mesmo, uma história. Assim, o prazer do envolvimento com uma mulher coincide com a vontade que Truffaut tem de contar uma história. O facto de Morane escrever todas as histórias e criar uma única forma abrangente (um livro) que as contém todas sublinha isto.

A editora tem um papel importante. Ela é o personagem chave que Truffaut coloca acima de Morane, e ela produz anotações e comentários a toda a estrutura. As suas observações ao livro e personalidade de Morane podem ser tomadas como comentários ao próprio filme e ao seu realizador. Ela é auto-referência, ela é Truffaut que se comenta a si mesmo; somando assim à reflexividade do filme. Por isso é que ela nota que Morane, o escritor, não rejeita os “detalhes” que outros não notariam, e ela diz literalmente que ele é, basicamente, um contador de histórias. Para além disso, é ela quem nota que o funeral de Morane é o fim perfeito para a história. Eu vi tudo isso como anotações reflexivas à própria estrutura do filme e, de forma mais geral, à natureza do próprio cinema de Truffaut. Ele próprio foi, durante toda a vida, um contador de histórias, e sobre todos os prazeres que retirava da criação de filmes, estava o prazer de narrar. Também dava uma especial atenção a filmar os detalhes, algo que creio que retirou de Hitchcock. A mão que marca o número no telefone, ou que vira as páginas na agenda, esse tipo de coisas.

O funeral de Morane, que abre e fecha o filme, reúne todas as mulheres à sua volta. Tal como a editora (a segunda narradora) nota, é uma celebração da vida de Morane, o reconhecimento das suas qualidades, e da sua vida (cinema).

Para já, este filme e “La nuit américaine” são os filmes de Truffaut mais bem construídos que eu vi. Muitas vezes penso que ele (e Godard!) gastaram demasiado tempo com coisas que não eram assim tão importantes, como se fossem adolescentes a discutir equipas de futebol. Mas em certos momentos, ele fez contribuições importantes para o desenvolvimento da narrativa em cinema. Este filme é uma delas.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve