Sleuth (2007)

“Sleuth” (2007)

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reviravoltas

É redutor encarar este filme como um remake do original. Na verdade é muito mais rico considerá-lo como um filme que se adiciona ao original. Realmente deveriam ver o antigo em primeiro lugar, para enriquecer a experiência deste. Pensem no original, e depois considerem-no como um ponto de partida. Abram a vossa mente para receber este. Façam isso, e terão uma das melhores experiências em filmes que lidam com a criação de histórias. Eu tive.

A versão de Schaffer/Mankiewicz tinha que ver com dois personagens que lutavam pelo controlo da história. O seu jogo pessoal de humilhação e vingança baseava-se em cada um deles criar uma história e representá-la de forma tão convincente que levavam o outro a acreditar nela. Nessa versão tínhamos brinquedos e bonecos animados por todo o cenário para realçar isso. É uma obra prima de escrita para filmes que funcionava porque as actuações a suportavam. Laurence Olivier esteve muito bem aí porque constantemente nos explicava a criação da história, à medida que ela avançava. O filme é um de machos puros, lutas de galos. A mulher por quem eles lutam, estava num quadro.

Aqui começamos nas pegadas desse filme. Dois terços do que temos deixa pouco espaço para reflectirmos sobre motivações. Se conhecem o original sabem o que esperar. O filme está incrivelmente encenado. A mulher que provoca o jogo É a casa, que ela decorou. Por isso, têmo-la a jogar o jogo, muito mais do que tínhamos no original. Branagh deve ser reconhecido pela maestria disto. A forma como ele lida com as câmaras de vigilância inventa um terceiro personagem que está em todo o lado, mas que nunca vemos. Por outro lado, a casa é ostensivamente um cenário, concebido não para que alguém ali viva, mas para ser explorada pelos nossos personagens. Mas também É uma casa! Vou marcar este filme como um caso interessante de relação entre cinema e arquitectura, pela forma como a casa/cenário é usada.

**spoilers a partir de aqui**

O toque de mestre na narrativa acontece nos últimos 20 minutos. É uma coisa especial, que ganha mais força ainda porque já conhecemos o original. É uma espécie de reviravolta sobre o que esperávamos porque vimos o outro filme. Aqui sentimos a mão de Harold Pinter. Num certo momento, quando os nossos personagens começam o último “set” do seu jogo, ficamos na indecisão, oscilando entre acreditar na sinceridade deles ou tentar perceber quem está a fazer a jogada. O tema gay é introduzido, e a peça entra num campo de enorme ambiguidade, apenas desvelada nos últimos minutos. Uma vez mais, a casa (o elevador) dão-nos um último plano fortíssimo, que termina o filme de forma muito mais conclusiva e eficiente que o original. O personagem de Caine é muito mais ambíguo, e ele deve receber crédito pelos seus longos momentos de puro silêncio, no quarto de hóspedes, quando ele decide se deve ou não ceder às exigências de Law. Esses momentos são fantásticos.

Jude Law é um actor muito interessante. Para lá das suas qualidades óbvias, parece-me que ele é especialmente inteligente (ou bem orientado) na forma como escolhe os filmes onde entra. Os seus remakes de papéis antigos de Caine são bons exemplos disso.

A minha opinião: 4/5 este filme são várias peças dentro de uma peça, que se torna o filme, enquadrado por outro filme. Vocês vão querer vê-lo.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve