Mankind Is No Island. (2008)

“Mankind Is No Island” (2008)

IMDb

enganador

Este filme é material danificado. Tudo nele parece confiável e poderoso, mas um revisionamento cuidadoso vai revelar o falso que é.

O filme nasce, aparentemente, de uma ideia visual inteligente, suportada pela edição. Imagens capturadas em duas cidades, que se misturam para nos dar uma mensagem. E a edição é a ferramenta cinematográfica chave para passar essa mensagem. Mas o engano é, para além de umas poucas imagens de pessoas sem abrigo e de verdadeiras cenas de rotina urbana, todo o material é na verdade palavras filmadas editadas para fazer frases legíveis. E todo o ritmo é dado Não pelas palavras filmadas, mas pela música que as suporta. Por isso, podemos ser levados a pensar que isto tem algum valor cinematográfico em geral quando, na verdade, é uma tentativa preguiçosa, disfarçada de trabalho amador honesto. Levei vários visionamentos para perceber o que estava mal.

Uma queixa menor é que a mensagem é paternalista, catatónica, sem garra. Diz-nos o que já sabemos e não o faz de nenhuma perspectiva interessante. Está embrulhada na noção estúpida de tratar os espectadores como crianças, de uma forma que nem mesmo as crianças (ou sobretudo as crianças) deveriam ser tratadas. Muitos espectadores gostam de ser tratados assim, e provavelmente é por isso que o filme teve o sucesso que teve. Eu não gosto.

Se querem um pedaço de edição onde as imagens são a chave da emoção e a música é só um suporte, vejam este anúncio:

Tirem o som num segundo visionamento e vejam como a edição se segura. Façam-no com este “mankind…” e vejam como o filme morre. O IMDb não lista anúncios comerciais, mas comparando o filme que estou a comentar com o exemplo que estou a dar, talvez devessem.

A minha opinião: 1/5

Este comentário no IMDb

2 Responses to “Mankind Is No Island. (2008)”


  1. 1 Filipe Machado Junho 11, 2009 às 3:40 pm

    Participa na sondagem “Melhor James Bond com Peter Sellers, George Lazenby, Timothy Dalton e Daniel Craig” até ao dia 15 de Julho 2009, em http://additionalcamera.blogspot.com.

  2. 2 Rita Janeiro 4, 2012 às 1:17 pm

    Curioso como vim dar a esta página no momento em que caí no erro (ou não) de escrever um ensaio sobre esta peça visual.
    Muito me tem frustrado, de facto. E revejo um pouco da minha perspectiva nas palavras aqui escritas neste post. De facto, é uma obra de pouca relevância cinematográfica, sim. No entanto, o facto de ‘algo estar mal’ é totalmente relativo. Respeito a opinião, todos temos direito a tê-la.
    Há que não esquecer que o rating dado pelo IMDB a respeito da ‘qualidade’ de um filme não corresponde verdadeiramente ao seu valor qualitativo, é apenas um resumo da opinião geral de muitos. Muitos que possivelmente foram iludidos pela sua mensagem aparentemente muito humanitária ofuscada pela ‘beleza’ das cidades em questão. Também podia ter filmado o mesmo vídeo na minha cidade, verdade. E nós nunca vamos saber até que ponto é que o realizador se dedicou a esta obra e realmente sentiu-a durante a sua execução.
    A questão é: até que ponto podemos julgar o ‘erro’ de alguém sem realmente saber a sua intenção?


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve