Great Expectations (1998)

“Great Expectations” (1998)

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narrativa espacial

Este filme foi realizado por uma das mentes visuais mais interessantes a trabalhar hoje. Cuarón sabe como trabalhar o espaço, sabe movimentar-se nele, sabe como encontrar e/ou criar espaços que ele pode explorar, encontrar os melhores pontos de vista. Neste tema, ele provavelmente herda as investigações de Orson Welles nos dias em que ele dominou a exploração espacial e o enquadramento da arquitectura. É aí que a mente de Cuarón se centra, creio. Enquanto Wenders explora imagens bidimensionais numa forma pura, enquanto Kubrick molda os seus filmes ao redor da narrativa, Cuarón fá-lo com espaço.

Tendo dito isto, este filme específico não é aquele em que ele o faz de forma mais intensa. Não vi este filme quando ele saíu, e neste momento já vi Children of Men e o terceiro Harry Potter. Aqui ele estava provavelmente mais limitador e tinha menos margem de manobra para trabalhar as suas capacidades. No entanto há momentos, agarrados a espaços, que são puras pérolas visuais. Assim, pensem nas cenas da casa do Paraíso Perdido. Vejam como esse espaço está construído para ser explorado, como as salas grandes existe para merecer a pena a câmara dançar com os personagens. Vejam como a escadaria que desce até à fonte do primeiro beijo está ali para permitir à câmara seguir os personagens e explorar o espaço. Estes momentos na escadaria são especialmente wellesianos. O outro espaço explorado é o estúdio de Hawke em Nova Iorque. O espaço é claro e denunciado na forma como o lemos. Por outras palavras, compreendemo-lo com uma única imagem, é aberto, e a sua composição perfeitamente legível. Mas é interessante, pela iluminação e pela escala, e Cuarón compreende-o. Imagino que este espaço é real, e o Paraíso Perdido um cenário.

Estes momentos, que claramente foram os mais impressionantes no filme, para mim, estão pendurados numa história. Seguindo Dickens, essa história tem a ver com a história em si. Os personagens são manipuladores ou manipulados (ou ambos, no caso de Paltrow). É uma história sobre quem está a contar a história. Na construção cinematográfica (não na do livro), os personagens existem para servir a construção narrativa, e pessoalmente creio que, em cinema, é mais eficiente que seja dessa forma. Por isso temos dois narradores principais, mas só temos consciência de um, e Hawke também. É esse o truque, é inteligente e funciona.

Não gosto de Ethan Hawke, admito. Para mim ele não tem talento e, pior, ele actua de forma arrogante. Isto significa que ele não faz nada, mas realmente acredita que nos está a dar algo duradouro. Bem, normalmente esse tipo de actuações afastam-me (na linha de Freeman, Redford, o Cruise mais recente…) mas aqui, considerando que o papel do seu personagem na história, de duplamente manipulado, admito que é uma escolha perfeita. Tal como o actor, o personagem pensa que comanda, mas é na verdade usado. Gwyneth Paltrow é concentrada, iteligente, e parece-me que trabalha duro para integrar os seus personagens, mas o seu trabalho é invisível no produto final. E isso é fantástico…

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve