Tarantellen af ‘Napoli’ (1903)

“Tarantellen af ‘Napoli'”  (1903)

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Ver estas velhas tentativas, o início do movimento por imagens, é sempre um privilégio. Estes filmes frágeis tiveram de viver 100 anos para chegar até mim por isso, independentemente do que contenham, devem ser mantidos como documentos vivos de tempos não tão filmados.

No entanto há questões fundamentais que devemos colocar ao ver estes filmes. Tínhamos aqui uma arte nos seus inícios, apesar de eu suspeitar que muitos dos pioneiros envolvidos não adivinhassem que estavam a começar mais que uma revolução técnica. Como arte, esta inovação tinha de lidar com a relação entre um criador, intermediado pela sua arte, e um observador. Nesse sentido, quais eram os temas? Hoje em dia, a maioria dos filmes parte da ideia que tem de contar uma história. Muitas das boas coisas feitas hoje lidam com a reinvenção das formas de contar essas histórias. Mas estes filmes primários e rudimentares normalmente lidavam com outra coisa: movimento visual. Literalmente, sem outras desculpas. O que tenho observado é que o cinema é uma arte inicialmente herdada e começada por pessoas que eram já artistas visuais, ou técnicos com preocupações visuais. Poetas, não romancistas. Por isso eles procuraram temas que fossem visualmente adequados à ideia de movimento. Nesse contexto, a dança era um motivo bastante usado.

Esta pequena peça é um filme desse tipo. Vi-o junto com outro do mesmo realizador, um filme de Wenders que explora o trabalho de 3 pioneiros alemães, e uma colecção de filmes do notável Paul Nadar. Todos estes filmes partilham a presença de números de dança como a chave para uma reacção visual. O incrível é que, apesar destes filmes terem bandas sonoras adicionadas, todos funcionam no total silêncio, sem a ajuda da música. Dança, ballet clássico, neste caso, funcionam no olho mais do que o fazem no ouvido. Isso é fantástico.

Neste número específico, não temos uma história para lá do contexto da própria dança, que trata a infatuação de um casal. Em vez disso temos pés, coreografia, que já não é representada para uma sala de audiência, mas para um ponto fixo, e compreendemos como isso afecta a dança. Para mim, esse é o interesse deste filme. Suponho que se é um bailarino ou alguém especialmente interessado em ballet clássico poderá encontrar aqui algum motivo de interesse em perceber o que mudou nesta área no último século. Eu vi-o pelo simples prazer de observar movimento abstracto, como uma pintura viva; este não é o melhor exemplo que vi ultimamente, mas é bastante interessante.

Estranho pensar que os “contadores de histórias” ganharam a batalha pelo estabelecimento das convenções nas mentes dos espectadores. Estranho mas compreensível. As pessoas gostam que lhes contem histórias, e o espectador comum lida mal com as abstracções quando elas os atingem como abstracções e não como abstracções disfarçadas (histórias!)

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve