Gake no ue no Ponyo (2008)

“Gake no ue no Ponyo” (2008)

ponyo

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esquisso

Qualquer abordagem simplista ao trabalho de Miyazaki cairá na armadilha que atravessa todo o seu trabalho. O que ele faz nunca é o trabalho de uma mente infantil ou de qualquer tipo de imediatismo. Os mundos que ele explora infinitamente são profundos porque ele os pinta de forma sublime, e dá-nos imagens tão detalhadas e significantes como poderíamos esperar.

Aqui as texturas são atenuadas pela vontade que ele tem de nos dar um produto para crianças, no melhor sentido do coneito. Por isso, apesar de os cenários serem algo complexos na sua representação, todos os personagens são altamente simplificados, excepto por um notável, Fujimoto, que tem um tratamento bastante texturado, na roupa, cara, pele, detalhes, o mesmo tipo de tratamento dos filmes visualmente mais complexos de Hayao. Interessante, ele também representa o papel pivot na história, já que media entre a terra e o mar, o mundano e o divino. Ele é o feiticeiro que evoca e liga as coisas, e junta diferentes forças, uma espécie de Miyazaki no ecran. Estes personagens são capazes de, pela sua simples presença, capturar-nos com as suas expressões indefinidas, a ambiguidade expressa, tanto como pelos estranhos contextos e ambientes em que surgem, um pouco como os personagens de Paula Rêgo, que pertencem ao mesmo tipo de criações gráficas.

Neste filme vemos outra vez Miyazaki a meio caminho entre o este e o oeste. O seu óbvio fascínio pelos valores artísticos do Ocidente discute presença com a sua capacidade japonesa para criar imagens aguareladas paradas, mas viscerais. Isto é algo que ele tem feito toda a carreira. Aqui, para além da ligação óbvia da história, uma variação sobre uma história da Disney, até a música se soma à confusão, já que é uma banda sonora de inclinação pos-romântica, tonal mas que escorrega interminavelmente para campos mais indefinidos de cadeias tonais, um pouco como a música tardia de Richard Strauss. A música pode ser exagerada por vezes, mas ajuda a criar momentos visuais poderosos.

De qualquer forma, prefiro quando Miyazaki confia na sua linda imaginação; com as imagens que ele cria a suportar a mitologia que ele inventa, é aí que ele é realmente forte. Para mim, este filme é apenas um esquisso, delicioso, mas não suportado por uma forma maior.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve