The Man Who Knew Too Much (1956)

“The Man Who Knew Too Much” (1956)

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music IS cinema

*** Este comentário pode conter spoiler ***

Não vi o original. Apenas pedaços soltos que encontrei nos extras do DVD deste.

Posso imaginar apenas uma razão para que Hitchcock quisesse refazer o seu próprio filme, e essa é a música. No original, ele não pôde contar com Herrmann. Com ele, Hitch sabia que poderia transformar a sequência do Albert Hall num pedaço poderoso. E a cena é realmente poderosa, e totalmente ancorada na música. Temos a tensão de saber o que está para acontecer, ou o que é suposto acontecer. Seguimos 4 linhas. Doris Day, que tenta evitar um crime, o assassino potencial e o que ele faz, James Stewart que tenta chegar lá, e perceber tudo e, mais importante, a música em si, que até é literalmente filmada a determinado momento (a partitura dos címbalos, que a câmara segue com o desenvolvimento da música). Esta quarta linha, claro, envolve as outras 3, marca o ritmo e torna-se em si mesma o manipulador da narrativa já que tudo acontece ao som da música. Este é um conceito muito poderoso que realmente está construído de forma perfeita aqui, e é um esforço coordenado de Hitch e Herrmann, um dos seus melhores momentos, e eles tiveram tantos… Reparem especialmente como a música conduz as acções do personagem de Stewart mesmo quando ele ainda não está no Albert Hall. Como a edição ajuda, quando seguimos Stewart pelos corredores, fora da sala de concerto, e quando ele fala com pessoas para tentar chegar ao assassino, sentimos por ele o que a música nos permite sentir. Toda a sequência é um pedaço perfeito de adequação entre filme e música e, por isso, um pedaço perfeito de criação colectiva. Vale a pena ver por isso sozinho. Foi que Coppolla, suponho, foi buscar o final poderoso da sua triologia do Padrinho, apesar de ele a ter feito ainda mais teatral (literalmente). Bem, ele estava a trabalhar com uma ópera italiana, de uma natureza ainda mais artificial que outras óperas italianas.

Mais à frente, temos outra tentativa de desenvolver uma cena pela música. Na embaixada, quando Doris Day canta para que o seu filho assobie, para o que pai dele possa encontrá-lo. Temos essa cena preparada desde o início do filme, desde o momento em que o suspense era apenas uma promessa. Provavelmente, Day foi escolhida precisamente por ser uma cantora, porque ela não pertence ao tipo de actrizes e presenças físicas que Hitchcock estava a escolher naquela altura para os seus filmes. o pedaço do “Que será será” não tem metade da força da sequência do Albert Hall, e perde ainda mais porque aparece logo a seguir. “Logicamente”, o Albert Hall poderia ter acabado o filme, mas penso que Hitch queria que vivêssemos um pouco no rescaldo dessa sequência.

De qualquer forma, o resto do filme constrói competentemente o ambiente do Albert Hall, se puderem evitar perguntar-se demasiadas perguntas sobre tudo o que não funciona na história. Excepto pela cena, este é um Hitchcock abaixo da média, para mim. Mas vejam.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve