The Shoes of the Fisherman (1968)

“The Shoes of the Fisherman” (1968)

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propaganda e vida real

Temos que admirar a forma inteligente como esta história antecipa a realidade. A compreensão de que um “infiltrado” do outro lado da cortina, colocado no sítio certo, com o poder correcto, poderia fazer a diferença no desfecho da guerra fria.

Bem, a maioria do que vemos neste filme é lavagem cerebral romântica. O cliché do homem bom, bem intencionado e humilde que, apesar de estar no topo do mundo e da liderança política, ainda se mantém o farol do amor e das vidas dos desfavorecidos. Por isso é que vemos este papa a viver uma vida normal, na cidade “real” e sobretudo, é esse o significado da última cena, que segue “O grande ditador”. Mas com Chaplin, nós Realmente tínhamos um artista comprometido, alguém que nesse momento se preocupava tanto com o que defendia que arriscou tudo o que era como celebridade e mesmo como artista, apenas para passar a mensagem, de verdadeira humanidade. Aqui, temos uma maquinação perversa da história (não li o livro, isto refere-se apenas ao filme). Por isso, aquele discurso final deveria, e eventualmente soa como o grito de rebelião de um homem que tenta e quebra as correntes do interesse maior, em favor dos desfavorecidos. Mas o filme é em si mesmo parte de um esquema que permite a lavagem cerebral desses desfavorecidos, e a colocação da Igreja como o líder espiritual, superior. Bem, os interesses da igreja em relação à Guerra Fria e depois eram políticos, eram mundanos, não eram altruístas. Nem nesta situação nem em qualquer momento dos seus 2000 anos de história.

Mas é notável (e suponho que isto vai para o escritor) a precisão da previsão. Como é que ele assumiu que um papa sairía das cadeias de sofrimento da união soviética? Ele saberia algo? Como é que ele criou a biografia de um homem que realmente se assemelha a João Paulo II? Isso realmente é notável.

As opções cinematográficas são boas. O filme é bastante texturado, tenta filmar muitas coisas no local, e joga com as cores, e as texturas dos espaços interiores do Vaticano, surpreendeu-me as preocupações visuais nesses temas. Também me interessou o uso de filmagens reais repetidamente, sempre que (suponho) havia a necessidade de mostrar pessoas “reais” na praça de S.Pedro. Se foi por necessidades de orçamento, ou uma opção consciente, não sei, mas o facto é que esses momentos com captações reais fizeram toda a construção deslizar para uma sensação deliciosa de documentário que, se lhe adicionarmos os últimos 30 anos de história, farão este um trabalho muito mais forte. Para realçar isto, temos um contador de histórias designado, um repórter que literalmente nos conta os factos, de um ponto de vista público. Esse repórter tem uma história pessoal, que seguimos, e que se mistura com a história do papa a certa altura. Isso não é inocente.

Bem, podemos escolher realçar a eficiência da construção cinematográfica, e como ela é provavelmente mais poderosa hoje do que era nos seus dias, devido aos factos que sabemos hoje. Ou podemos simplesmente ficar com o facto de que filmes como este são propaganda velada, que procuram moldar as opiniões das pessoas sem se assumirem como propaganda. Eu retenho essa nota, mas apreciei a experiência.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve