Aanrijding in Moscou (2008)

“Aanrijding in Moscou” (2008)

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Fantasporto 2009

IMDb

despretensioso

Dificilmente se pode ser mais despretensioso do que o que temos aqui.

É elementarmente claro a forma como isto está feito, os truques usados, e o eficiente que o filme é, e isso é uma coisa boa, neste caso.

Vejam como a história e o ambiento estão construídos desde a primeira cena. Um acidente de tráfego menor num parque de estacionamento, isso começa uma discussão. A cena começa como um pedaço de vida diária, avança para uma discussão ligeira por palavras, e termina de forma cómica. Reparem como todas as palavras e frases neste argumento estão concebidas para causar uma impressão imediata sem se tornarem negras ou mesmo pesadas. Esse é o contexto do filme. Vive de rotinas, introduz elementos desviantes, que normalmente resultam de forma cómica (a introdução do tema lésbico é um grande momento, entre outros) e com este ambiente evoca um sentido de ternura, o que as audiências poderão chamar “romance”. O facto de que as pessoas que conceberam o filme tenham sido capazes de sintetizar tudo tão económica e eficientemente numa única cena é impressionante. Esta é uma das primeiras cenas mais sintéticas que já vi.

Alinho este filme com 3 comédias recentes que entre muitas diferenças partilham um sentido comum de despretensiosidade, um conceito que admite que o cinema é um pedaço de entretenimento, que as coisas têm de ser eficientes e funcionar no olho e pelos diálogos, NO mundo do filme, sem isso querer dizer que o filme tem de moralizar ou procurar respostas superiores para temas comuns. Estes filmes que vi recentemente são “Juno”, “Little miss Sunshine” e este. Dos 3, prefiro este. Desvia-se ainda mais dos canons de Hollywood que os outros, e esse pode ser o motivo.

O filme funciona pelas actuações, que são surpreendentemente directas e cativantes. Conheço muito pouco ou nada sobre as tradições de actuação belgas (ou equivalentes), mas adivinho (posso estar errado) que as actuações deste filme estão inseridas numa tradição mais longa de actuar com fluidez, o que alguns poderão considerar actuações “naturais”. Não ousaria confundir o filme com vida “real”, como suponho que muitos espectadores farão, mas realmente este é um mundo caricaturado bem modelado. Representação, é o que é… o personagem principal vai muitas vezes a Itália, e fala várias vezes italiano, uma língua que em alguns dos seus momentos de ouro na arte deveria “soar” em vez de realmente “significar”.

Algumas paisagens urbanas da pequena cidade de Moscovo, Bélgica, são fenomenais. Houve um olho competente para ler a cidade aqui.

A minha opinião: 4/5

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2 Responses to “Aanrijding in Moscou (2008)”


  1. 1 LN Março 24, 2009 às 7:34 pm

    nice blog. gostei do devian também.

  2. 2 ruiresende Março 31, 2009 às 4:11 pm

    obrigado, é bom ser apreciado. espero ver-te por aqui mais vezes


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve