Haepi-endeu (1999)

“Haepi-endeu” (1999)

happyend

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regra e excepção

*** Este comentário pode conter spoilers ***

Estou a entrar no cinema coreano. Tenho tido aí algumas das experiências melhores com cinema recente. Da colheita corrente de realizadores (pelo menos) competentes, temos Wook-Park e Kim Ki-Duk. Ambos adicionaram coisas boas à minha vida com alguns dos seus filmes. Para além deles, encontrei muita competência e excitação noutros filmes.

Agora vi este. É impressionante, não poderoso e transcendente como Oldboy ou Bin-jip, mas mesmo assim vale a pena.

Vou realçar o como isto está feito. O filme começa e (praticamente) termina com 2 cenas exageradas e intensas: começa com sexo visceral e obcecado e termina com um assassinato brutal. Ambos são realçados para lá do que seria necessário para contar os factos e ambas ultrapassam o que normalmente toleramos em cenas semelhantes. Entre estas cenas, temos cenas de rotina diária comum, até aborrecida. Cozinhar, tomar conta de crianças, trabalhar, comer. Só isso. Assim, as cenas de excepção são momentos extremos de vidas normais. É disso que o filme é feito. O homicídio é uma reacção exagerada, violenta e pouco comum a uma situação relativamente vulgar de adultério. O filme corresponde visualmente a isto e temos uma grande adequação entre o que vemos e o que nos é dito. Isso é suficiente para me agradar.

O filme é imperfeito porque confia puramente no efeito que estas cenas deverão ter em nós. Os riscos estão minimizados a essas duas cenas e a controvérsia que elas podem causar (e causaram). Bem, creio que o filme funciona ainda relativamente bem, mas as cenas não me chocaram assim tanto (os últimos 10 anos trouxeram-nos filmes como Irreversível). Apesar de tudo, o que fica é uma boa experiência, porque todo o filme tem a ver com fazer-nos inoperantes e sem reacção, e de repente agitar-nos e acordar-nos. É um conceito relativamente pobre mas funciona, e mais que tudo, fá-lo de forma cinematográfica, fá-lo no olho.

O trabalho artístico é fabuloso. A cinematografica tem consciência perfeita das cores, saturações, e elementos de composição. É lindo, e algo que vemos com bastante frequência em todos os filmes coreanos, mesmo os piores. Visualmente, o cinema coreano não parece ser tão depurado e abstracto como a imagética japonesa, pelo contrário é uma exploração relaxada e agradável de beleza, com conceitos e influências ocidentais e, no entanto, bastante enraizado em ideias de sociedades orientais. Suponho que corresponde ao que a Coreia do Sul representa culturalmente hoje em dia.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve