The Curious Case of Benjamin Button (2008)

“The Curious Case of Benjamin Button” (2008)

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IMDb

Regresso ao passado

David Fincher é uma mente interessante. Por aventuras anteriores eu já sabia que ele se interessa pela forma dos seus filmes, com criar uma estrutura coerente com a narrativa pretendida. Com Seven, Fight Club e Zodíaco, senti que essa estrutura já existia antes da linha narrativa ser vertida para ela. Esse é o recreio dele, e é interessante porque há mais nos filmes dele do que a estrutura que os suporta. Assim temos ideias visuais, que representam emoções.

Aqui ele tenta algo novo. Bem, ele ainda se preocupa com a criação de uma estrutura sólida onde inserir a história. Na verdade este é a sua forma mais longa, não tanto pelo tempo que o filme dura, mas pelo tipo de desenvolvimenteo que tem. Um filme que segue o tempo de uma vida deve ser uma das coisas mais difíceis de fazer em cinema. Porquê? Porque esse tipo de história está totalmente enraizada na literatura, não no cinema. É difícil comprimir a evolução emocional de alguém ao longo de uma vida em imagens. A literatura tem a capacidade de criar canais instantâneos para a mente de alguém. Tentar fazer isso em filme normalmente resulta num desastre. Por isso é que é tão difícil encontrar bons filmes que representem biografias (o chamado biópico).

Tendo dito isto, creio que este filme tem sucesso porque lida com as desvantagens que referi acima. Tenta evitar as coisas previsíveis, a preguiça que leva ao consequente falhanço de colocar as palavras como a legenda de imagens desinteressantes. Não é um filme perfeito e ainda está por vir (ou pelo menos ainda não vi nenhum) o film que represente a vida de alguém e que mude a minha vida.

Aqui há um conceito lindo que faz o filme para mim. Isto é uma história de amor, tudo bem. Mas lida com tempo e espaço como as adversidades que os amantes têm de enfrentar. É uma questão de duas pessoas que têm de encontrar o seu espaço comum, as condições para estar juntos, seja contra a guerra ou a rejeição social (o modelo Titanic). Mas, mais interessante, lutar pelo tempo certo. As linhas de vida opostas (uma que fica mais velha, outro que fica mais novo) permitem isto. Por uns poucos anos, por um certo período de tempo, os amantes podem partilhar o seu amor.Que ideia linda, que um casal tenha de viver em proximidade sem se tocar, sabendo todo o tempo que estão a ver o amor das suas vidas e ainda assim têm de esperar pelo momento certo, e depois terão de ter a coragem para se separar outra vez. Essa é a ideia que despedaça o coração e que move este Benjamin Button. Fincher nunca tinha feito um filme assim, tão baseado em concentrar emoções, um filme feito com uma estrutura clara que no entanto podemos descartar porque o que interessa é o que está dentro dela. Nos seus outros filmes, a estrutura e o conteúdo não se separavam.

Esta é uma história de amor, notável, um conto sensível, que aparece numa altura anti-romântica. Talvez por isso tenha tanta simpatia das audiências. Ventos de mudança? Tempo invertido?

A minha opinião: 3/5

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1 Response to “The Curious Case of Benjamin Button (2008)”


  1. 1 Sérgio Correia Dezembro 9, 2009 às 7:25 pm

    Neste filme achei interessante o pormenor do relógio, logo no início, tem tudo a ver com o personagem, a sua aparência. A forma como os restantes personagens observam o relógio é a forma como nós observamos o personagem ao longo do filme. Eles tentam adivinhar as horas, nós tentamos adivinhar a sua idade. Bestial!

    Abraço!

    Sérgio Correia


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve