Revolutionary Road (2008)

“Revolutionary Road” (2008)

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encher de vazio

Para mim Sam Mendes faz pouca coisa mal. Ele vê as coisas cinematograficamente, e consegue sempre propor um ambiente, e transcrevê-lo para o filme. Por isso os seus filmes são sempre sobre um ambiente, e o que ele tenta fazer é algo que aprecio imenso: basicamente o filme, como meio, deverá reflectir o filme, como conteúdo. O filme as desilusões, urgências e expectativas dos seus personagens para nós.

É isso que temos aqui: vazio. O filme é sobre personagens pálidos, vidas ridiculamente hipócritas, pessoas infelizes, com medo de enfrentar a sua infelicidade (“no one ever forgets the truth, you only learn to lie better”). A história é desprezável pelos factos em si (talvez o romance tenha tido um impacto social nos seus dias), o que a faz valer a pena é o ambiente que sugere, e que o filme completa.

Assim o esquema é simples. Mediocridade, estilos de vida burgueses de uma classe média ridícula. Falta de ambição assumida e aceitada. Paris como o sinónimo de auto-superação (“it didn’t have to be Paris”). O personagem de Kate descobre as suas próprias frustrações, e isso alimenta todo o drama. Agora, vejam como esta simplicidade está transcrita para linguagens visuais: -muito poucos cenários; a casa, o mato, o local de trabalho, e poucos mais com pouco tempo de ecran. -a estupidez e palidez sublinhada em cada diálogo, excepto pelas linhas de Winslet e Shannon. -a simplicidade nas escolhas da cinematografia. O resultado é muito muito eficiente. Vejam o filme, e verifiquem o que vos fica dele, apenas algumas horas depois de o verem… nada, apenas um sentimento de desconforto, inquietude, frustração por algo que parece faltar no filme. Tal como o personagem de Kate se sentia. Percebem? Kate Winslet é uma das melhores actrizes dos dias de hoje, o papel dela aqui era uma luta entre personalidade e submissão, vontade de transcender e rotina. Ela compreendeu-o tão bem.

Duas coisas interessantes:

Kate e Sam: casal actriz/realizador. Ambos são interessantes como artistas. Há amor. Podemos observá-lo, em cada frame. Ted Goranson sempre realça os realizadores que dirigem as suas esposas, e eu percebo. É uma espécie de motivação extra. Para lá das necessidades artísticas e intenções que despertaram a necessidade do realizador criar o filme, temos uma camada de paixão porque ele quer ligar a sua arte ao seu amor. É um conceito bonito, realmente bonito.

Não temos Conrad Hall aqui. Senti a falta dele. Ok, a intenção era fazer um filme altamente simplificado, por isso imagens fortes e icónicas não são tanto o jogo que Mendes queria jogar aqui. Mas senti falta da poesia da luz, da poesia dos corpos, e da colocação de corpos, e das caras que Hall tinha. Ele deixou-nos muito que apreciar, mas ele e Mendes estiveram tão perfeitamente ligados nos 2 projectos em que trabalharam juntos, que tenho a sensação de que algumas páginas não foram escritas e deveriam. Pena. Roger Deakins fez um trabalho competente, a minha referência a C.Hall não é uma desapreciação pela cinematografia deste filme.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve