Alfie (2004)

“Alfie” (2004)

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Duas observações à boa experiência que este filme é:

-uma é o aspecto visual da coisa. Temos uma tapeçaria visual, cada cena tem a sua própria força visual e pode ser apreciada isolada, mas todas juntas causam uma boa impressão. Cada caso na vida de Alfie tem o seu próprio tratamento visual, de acordo com o seu ambiente específico. Cores, e trabalho de câmara são elementos cuidados. Vendo os extras, percebe-se que valores artísticos é algo que estava na cabeça destes tipos, mas dou grande crédito a Ashley Rowe pelo que foi feito aqui. As cores são na linha do que Chris Doyle poderia fazer. É interessante como Jude Law encaixa bem neste tipo de fotografia, vimo-lo numa situação semelhante no recente “my blueberry nights”.

-a outra coisa é o dispositivo narrativo. Ainda não vi o original, por isso poderei estar a comentar algo que já acontecia no outro, mas aposto que não. Alfie fala para a câmara, ele fala para nós. Ele denuncia o teatral que tudo é e a artificialidade do cinema em si (a fotografia, luxuriante mas artificial, sublinha isto). O filme é episódico por natureza, cada mulher é um episódio, mas sabemos que Alfie é o nosso narrador, já que percebemos cada sentimento directamente pela sua boca. Jude Law é um actor muito interessante, um dos bons actores que temos hoje em dia, e ele cumpre, ele sabe o tipo de dramatismo e exagero controlado que tem de dar para isto funcionar. O sucesso desta estratégia é fazer-nos assumir que as palavras de Law são um diálogo connosco, em vez de um monólogo como por exemplo Depp em ‘The Libertine’. Jude Law sabe isso, ele pausa o discurso, e entona como se estivesse a conversar em vez de narrar. Muito bom.

Jude Law é em si mesmo um personagem, mesmo através da moda. Neste filme ele estava no início de uma relação com Sienna Miller, eles são vistos no meio de uma colecção de clips a ler a Vogue juntos. Isto não é inocente. Na verdade, é uma forma inteligente de construirem as suas personalidades públicas fora do ecran.

Ah, e temos uma história. Um playboy, solteiro, com a vida centrada nas mulheres, que procura carinho verdadeiro, vive o amor como episódios e sofre as consequências das suas irresponsabilidades. É apenas uma desculpa para desenrolar uma história visualmente. Algumas mulheres, contudo, são interessantes. Temos Tomei, temos Miller, temos Sarandon que apesar das suas limitações como actriz, é bem encaixada no filme.

A minha opinião: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve