Bad Timing (1980)

“Bad Timing” (1980)

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de dentro para fora

Roeg tem uma mente perturbada. Ou pelo menos gosta de entrar em mentes perturbadas. A sua maior qualidade é algo que aprecio imenso num realizador: ele pinta a sua tela, mas também designa onde nos devemos sentar a olhar para ela. Ele constrói a atmosfera e uma nave para nós entrarmos nela. É esse o nosso sentimento. Mas depois há algo mais interessante. Pensamos que estamos confortáveis como espectadores passivos do que ele mostra, mas o que ele faz, sobretudo através do trabalho de câmara e da edição (que é fabulosa neste filme), é tentar empurrar-nos para o jogo, e fazer-nos correr os mesmos riscos e trabalhos dos personagens do filme. Essa vontade de colocar o espectador no centro do que interessa é algo comum hoje em dia, mas creio que Roeg era um visionário naquele tempo, incluindo este filme.

Temos um psicoanalista, que é um atalho para dizer que é alguém que trabalha as relações de dentro para fora. Ele é obcecado, tem ciúmes retroactivos, e o filme é a evolução de como ele luta consigo mesmo para montar uma história conveniente que o permita ficar com a mulher, algo que eventualmente ele não consegue. Nós sabemos como as coisas vão terminar desde o início, por isso o filme utiliza o estratagema de nos permitir conhecer o final e depois, pelos flashbacks, guiar-nos até esse ponto. A edição é frenética e algo psicadélica, algo que Roeg poderá ter aprendido na sua experiência em Londres nos anos 60. E a intenção era precisamente fazer a nossa mente visual funcionar como a mente perturbada do personagem de Garfunkel.

Um ponto extra e significativo, algo que Ted Goranson gosta de notar, e que me começa também a apaixonar, é a empatia de Roeg com a actriz, Theresa Russell, que levaria ao casamento. Realmente conseguimos perceber isso. A sua personagem não é o centro da história, esse é Garfunkel, mas nem o percebemos a não ser que pensemos nisso. O personagem de Garfunkel era, neste momento, uma representação dos desejos de Roeg por esta bela mulher.

O filme que melhor representa essa relação e, simultaneamente, é o melhor de Roeg, para mim, é Insignificance. Este Bad Timing é um dos mais celebrados, mas tem um poder menor comparado com o outro. É uma boa experiência, mas sugiro que o vejam como introdução ao outro.

A minha opinião: 3/5

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1 Response to “Bad Timing (1980)”


  1. 1 Nuno Cargaleiro Janeiro 6, 2009 às 6:03 pm

    Convite Red Carpet

    Após as filhoses, bolo rei e champanhe, nada melhor do que uma nova edição da Red Carpet para entrar no ano em grande!

    Começamos mais um ano que se mostra melhor ainda que o anterior. Bom cinema, e com certeza com algum menos bom, mas acima de tudo, grandes emoções a serem vividas nas salas portuguesas.

    Com esta edição chegamos também a um ponto que, muito provavelmente, nem percebiamos que lá estávamos a chegar. Sendo esta a edição de Janeiro, muitos já perceberam que a próxima edição será comemorativa! Um ano de vida da Red Carpet! Mas deixemos as comemorações para a edição que vem… por agora, aproveitemos em pleno esta edição que está cheia de bons conteúdos! Vejam por vocês mesmos! E não tenham receio de opinar sobre a revista, ou qualquer outro conteúdo no nosso site!

    http://revistaredcarpet.com/


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve