Lila dit ça (2004)

“Lila dit ça” (2004)

lila

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ineficiente

*** Este comentário pode conter spoilers ***

‘Finding Forrester’ mais Nabokov, mais Tornatore. O produto final pode superficialmente assemelhar-se a ‘Lucia y el Sexo’, mas é um jogo diferente. E almas diferentes a jogá-lo.

Penso que no final, o que temos é uma miscelânea de diferentes ideias, diferentes ritmos, diferentes dinâmicas, e não funciona como era pretendido (pelo menos como eu penso que era pretendido). Tenta trabalhar o mudança de idades de um jovem, a flor que cresce no pântano de marginais. Ele é um escritor, isto interessa, mais tarde no filme, e ele relaciona-se com a rapariga.

Ela é Lolita, e no final compreendemos que o rapaz escreve a história que ela lhe diz (daí o nome do filme). Começo a descobrir um dispositivo comum em filmes, que é um sistema em que nos dão pistas de que o filme que estamos a ver é na verdade o filme ou o livro que alguém no filme está a criar. ‘Pepi, Luci…’, ‘Das Leben…’ etc. Um dia faço uma lista.

Vahina Giocante é parte da razão porque este falha para mim. Ela não é Dominique Swain, nem Juliette Lewis. Um papel como este provavelmente pedia alguém como Jennifer Connely nos seus anos adolescentes. Giocante por acaso utiliza bastante bem os olhos, mas não muito mais que isso. Isto poderá ser cultural, mas não a apreciei aqui.

Há um subenredo sobre imigrantes muçulmanos em França (o realizador vem, creio, desse contexto). Creio que o filme pisa demasiado nesse tema. Não tenho nada contra, mas podemos fazer filmes sobre imigração e fricções sociais se queremos (‘La Haine’, feito por um francês) mas este era suposto funcionar noutro nível, o do encontro inocente, revelações íntimas, rapaz conhece rapariga e o que resulta disso. O resto é inútil.

O final é bastante poderoso, provavelmente a parte mais poderosa do filme. Isso acontece porque usa o dispositivo narrativo que referi acima para resolver e terminar o arco dramático do filme. A rapariga tem um livro onde colecciona pedaços de revistas, fotografias, jornais, o material que ela usa para inventar a sua vida centrada em sexo. O rapaz acaba por descobrir que tudo foi uma invenção na cama onde ela é violada, sim, mas o pedaço em que ele revive as fantasias dela pelos excertos do livro foi muito mais poderoso, para mim. Isto compensa parcialmente as fraquezas do resto do filme.

Creio que havia ambição aqui, o realizador está a traçar o seu caminho (este é apenas o seu segundo filme), mas falhou, para mim. E tenho muita pena, cheguei a este filme porque estou a tentar fazer o meu caminho a ver filmes que sejam sobre mulheres, e que tentem compreendê-las, ou dar um ponto de vista interessante (Medem é o meu mestre nesse canto).

A minha opinião: 2/5

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1 Response to “Lila dit ça (2004)”


  1. 1 Manu Junho 14, 2009 às 2:51 pm

    Estranho, achei o filme mais poderoso até a violação, e o final evidente. E apreciei como um todo. Talvez seja uma questão de gosto, ou de olhar.


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve