Paprika (2006)

“Paprika” (2006)

paprika

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sonhos filmados – filmes sonhados

Esta foi mais uma grande aventura nos campos da animação japonesa. Entre o mau material que emula formas ocidentais de atingir grandes audiências, e aquelas produções que são essencialmente extensões de séries/mangas de sucesso para fazer dinheiro, encontramos grandes filmes. Este é provavelmente o melhor que encontrei por agora.

É um filme sobre filmes. Literalmente. Sonhos, aqui, são encarados como filmes. Uma das primeiras cenas estabelece isto, quando Paprika faz uma comparação directa entre sonhos e filmes, ela até marca a diferença entre curtas e longas. O filme começa com uma sequência sonhada que é em si mesmo uma série de citações de filmes, de Tarzan a Hitchcock. Esses sonhos são “agarrados” por uma máquina que literamente os transforma em filmes que se podem ver num ecran. Esses primeiros minutos estabelecem tudo isto, com grande economia e claridade.

Reparem que em momentos cruciais, a transição entre realidades, ou entre sonhos, ou melhor ainda, entre filmes, é literalmente feita através de um ecran num teatro.

O homem cujos sonhos vemos no início (o detective de polícia!) era ele mesmo um realizador, assim a sua cabeça (os seus sonhos!) está habitada por filmes, e isto é uma referência directa a como os filmes moldam os nosso sonhos e a nossa imaginação. Menciono várias vezes isso quando escrevo. Os filmes são, provavelmente, o veículo mais forte para as gerações modernas funcionarem mentalmente, no campo dos sonhos, eles têm essa responsabilidade. Assim, temos uma rua de salas de cinema com numerosos filmes em exibição, incluindo outro do homem que realizou este, ou a Guerra e Paz de Audrey. Façam a vossa escolha, eu escolhi estes.

Numa cena específica, num momento crucial em que todos os sonhos acumulados que espiamos se misturam com resultados explosivos, temos o detective a falar de termos técnicos específicos dos filmes, e ele está fisicamente modelado à Kurosawa. Ele está dentro do cinema quando isto acontece. Isto foi fantástico e uma aproximação definitiva à ideia de sonhos como filmes. Kurosawa realizou um filme em que nós visitávamos os seus sonhos pessoais, entrávamos neles com a noção perfeita de que eramos meros visitantes de uma mente que nos convidava. Satoshi Kon pode ter pensado isto quando escolheu usar Kurosawa; ou então simplesmente escolheu-o por puro divertimento.

Paprika começa como um pivot na história, vendo e corrigindo coisas sem muita interferência, mas acaba por ajudar a escrever a história. Em última análise, as coisas são resolvidas quando o detective compreende o fim do seu sonho filmado perturbado.

A música cobre totalmente o pretendido. Tem uma ambiguidade linda e uma actratividade completamente no ambiente do que vemos: nunca podemos estar certos de estarmos num sonho ou numa realidade, mas independentemente do perigo que pressintamos, sempre queremos entrar no que vemos.

A minha opinião: 4/5 este filme interessa.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve