The Libertine (2004)

“The Libertine” (2004)

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representação desconfortante, desequilibrada

Não sei o que se passou aqui. Esta foi, estou certo, uma experiência profunda, há coisas aqui que realmente me causaram impressão, cenas que não esquecerei que vou querer rever isoladas, e algumas pinceladas de mestre em sobreposições narrativas. No entanto falhou em agarrar-me emocionalmente como o fez intelectualmente. E o que mostrou à minha mente foi uma forma fortíssima de criar um vínculo visual a uma alma. Então como pode ter isto acontecido? Este filme é sobre um representador que cria representações. Wilmot é, ele mesmo, um actor, ele representa um personagem, um que ele definiu para si mesmo e na verdade, o selo que deixa depois de morrer é mais o de um personagem que o de um artista. O filme sublinha isso. Os seus pontos altos e baixos acontecem com duas das suas performances, em dois ‘palcos’, o teatro e a câmara de lordes. Claro que ele escreveu ambos, mas o primeiro é uma rábula intencionalmente má e o segundo é relativamente banal e funciona apenas pela presença física de Wilmot.

Ele cria uma actriz. Ele aprofunda as representações dela, ele ensina-a, torna-se o seu amante, mas ‘é o teatro’, alguém diz. Ele vê-a no palco, não na rua, ele apaixona-se pela representação, não pela vida. Por isso temos vida como uma representação, viver como uma peça, morrer como um personagem. Isto é perfeitamente enquadrado com Depp a falar directamente para nós, no início e no fim. São monólogos particularmente bons, ele agarra-nos, ele está ostensivamente a representar. Provavelmente, nenhum actor vivo poderia fazer aquelas cenas específicas melhor do que o que Depp fez.

As cenas onde ele ensina a actriz também são de cortar a respiração e eventualmente podem mudar uma vida. Não tenho uma entrada para o mundo do Shakespeare, ainda não o consigo atingir correctamente. Isso provavelmente mata os trechos de Hamlet para mim. Apreciaria se alguém mais consciente neste aspecto pudesse comentar isso. Mas a câmara captura todas as nuances, abraça a actuação, é lindo assistir.

Esta é uma das melhores actuações de Depp. Ele é fantástico, ele coloca camadas de ambiguidade espiritual no personagem, deixa-nos ver o seu interior tanto como o nevoeiro constante (mesmo em planos de interior) nos deixa ver o envolvente. Samantha Morton é friamente efectiva, uma mulher fora do seu tempo, funciona porque ela tem uma cara enigmática e sabe criar um olhar mortal.

Então de que não gostei eu? Porque a verdade é que o resultado final não me encheu e alguma peça fundamental está a faltar. Que peça? Algumas cenas não funcionam, a morte de Downs é confusa, ineficiente e hollywoodesca (‘i told you…) e em alguns pontos a escrita não é tão económica como deveria. Mas isso não chega. Isto vai-me incomodar até eu conseguir compreender. Talvez funcione totalmente e esse desconforto que me deixa seja parte da maestria do filme.

A minha opinião: 5/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve