Two for the Road (1967)

“Two for the Road” (1967)

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emoção cinematográfica

Esta é uma das experiências mais efectivas e carinhosas que já tive com filmes. Posso passar uma vida a tentar perceber porque é que funciona tão bem. E será uma boa vida.

Este é um dos grandes filmes que Stanley Donen promoveu e ajudou a criar nos seus anos em Inglaterra. Ele fez vários esforços em produções independentes que, ao mesmo tempo, tentavam vender-se e encontrar um lugar no mercado de cinema global, mas por outro lado eram projectos pessoais onde Donen podia explorar o que queria.

Pela relação entre cinema e emoções humanas, creio que creio que este é o melhor filme dele (dos filmes que vi até agora). É uma peça honesta de cinema, que tem o que eu peço: -é efectiva em formas que ressoam dentro de mim muito depois de o ver, como um eco que atravessa a mente e a alma; -funciona e explora o cinema como um meio em evolução, e propõem coisas novas; -encena uma história numa forma que eu nunca tinha visto.

Assim, o que temos (como sempre com Donen) não é uma única visão individual em jogo. Em vez disso temos o resultador de 2 mentes brilhantes coordenadas (Donen e Mancini) e de uma sincera, honesta e competente (Frederic Raphael). O que eles criaram foi uma longa peça de emoção não-explosiva concentrada, uma divagação de 111 minutos. Nunca tinha visto um filme com este efeito sem pontos quentes relevantes no enredo. Nada aqui é clássico na forma como não arqueia a história com pontos altos e baixos, mas transforma a história num modo. Mas tem uma história! Esse é o truque. A honestidade dela existe, creio, por causa de Raphael. Ele enraizou o enredo na vida real e é responsável, numa grande medida, pelo sucesso do filme. Os filmes são sobretudo sobre outros filmes, no sentido em que usam convenções, emoções encenadas, reacções planeadas, de acordo com um ‘género’. Um género é provavelmente um guia para um certo tipo de filme. Isso não se passa aqui. A vida invadiu o filme, e isso é o que o filme tem de especial.

Como está feito é o revolucionário aqui: temos uma história sobre uma vida normal, um casamento normal, cuja única razão para ser retratada no filme é porque é normal. O que fazem é tirar essa vida normal do seu contexto diário normal, e escolher as situações de excepção dessa vida. Vidas que correm como carros numa estrada. A estrada como vida. Funciona porque evitamos perguntar-nos certas questões: onde vivem eles exactamente? como é o quarto deles na sua casa? Onde é que ele compra o jornal quando acorda? O que faz ela na sua vida quotidiana? O que temos são vida e problemas diários destacados do seu contexto diário. E é realmente muito bom.

A construção cinematográfica também foi nova nos seus dias, e ainda eficiente hoje. Os 4 momentos distintos ao longo dos 10 anos retratados aqui são cortados e vêmo-los separados e em paralelo. Os penteados de Audrey e os carros que usam fazem a diferença para nós. Isto é uma questão de escrita. A edição ajuda a que tudo funcione. É um trabalho poderoso.

Audrey Hepburn deixa as coisas correrem. Que ela era relativamente limitada como actriz é um facto, mas aqui ela faz algo notável que é subtrair o seu estatuto de estrela do ecran, e jogar com o realizador. É uma prova que ela sabia o seu papel e o que era necessário fazer para que as coisas funcionassem.

Se quiserem, vejam o filme imaginando Paul Newman no papel de Finney, já que ele foi a primeira escolha de Donen. É um exercício engraçado.

Creio que todos deviam ser expostos a este pequeno filme pelo menos uma vez na vida.

A minha opinião: 5/5

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6 Responses to “Two for the Road (1967)”


  1. 1 Victor Afonso Dezembro 6, 2008 às 5:26 pm

    Há anos que não vejo este filme! Há edição nacional em DVD?

  2. 2 ruiresende Dezembro 6, 2008 às 5:44 pm

    Creio que não, eu tenho o filme em DVD, mas comprei-o em Espanha, posso verificar se tem legendas em português, mas eu diria que não. E olha, custou-me 5 euros em promoção lá… aqui nem se encontra.

  3. 3 Maria regina Ferreira Janeiro 3, 2009 às 2:19 pm

    Adoro esse filme !
    Já devo ter visto uma centena de vezes !
    E não há edição nacional em DVD … mas felizmente hoje se consegue facilmente baixá-lo pela internet.
    Foi o que eu fiz !

    Procure-o no site Mininova … e baixe-o com o Torrent.
    Melhor dispensar legendas … os diálogos originais são geniais !

  4. 4 Martins Janeiro 15, 2009 às 1:50 am

    Concordo com vocês. É um filme para quem já viveu uma boa parte da vida e percebe que a vida é um continuum. Não há começo, meio e fim. As coisas se entrelaçam e o relacionamento ora é mais, ora é menos, mas nunca é mais ou menos. Eu e minha esposa já o assistimos mais de 100 vezes e a emoção é sempre a mesma.

  5. 5 Hélder Março 26, 2009 às 2:32 am

    Estou doido para comprar este filme, alguém pode me dar uma dica onde que encontro?

  6. 6 ruiresende Março 26, 2009 às 6:47 pm

    em espanha. eu tenho o filme em edição dvd espanhola… tem legendas em espanhol, claro, e creio que em inglês também. não vem legendado em português, é o único defeito eventual para quem não domine uma das duas línguas de legenda…


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve