Sliding Doors (1998 )

“Sliding Doors” (1998 )

IMDb

Atravessar a porta, destinos

Este é um pequeno, reconfortante e inteligente filme. Joga com as ferramentas e peças que aprecio mais: criar um ambiente, inventar um mundo ou dar uma visao pessoal de um mundo próximo da mente, e inovando na narrativa, novas formas de contar uma história. Fá-lo competentemente, é um filme equilibrado em praticamente todos os aspectos.

Temos uma linha clara considerada: a vida de uma mulher infeliz, que perde o emprego e tem um companheiro infiel. Esta linha tem um início e dois finais possíveis. Algures sobre essa linha curva, o escritor poe uma alternativa, uma segunda linha que se desvia da primeira apenas até ao ponto de a voltar a intersectar mais à frente; ou seja, uma linha com final e início definidos. O enredo está centrado totalmente no personagem de Gwyneth. As linhas narrativas distintas sao seguidas em paralelo e isto vai dando as versoes alternativas, que seguimos, alternando também nós entre elas. O momento em que as duas linhas se cruzam é relativamente banal – morte de uma das Gwyneths alternativas que reestabelece o curso normal das coisas. Mas o momento em que o tempo quebra é um momento lindo de filme. A cinematografia é bonita, a forma como as portas do metro sao filmadas e como é feita a ediçao da Gwyneth a viver as duas versoes no mesmo momento. Lindo. Curiosidade: a miúda que, numa das versoes, faz Gwyneth perder o metro e na outra é afastada para a permitir passar tem uma boneca, loira, e brinca com ela. Como uma marioneta. O destino guia a vida dos personagens aqui. Delicioso.

Gwyneth Paltrow é uma actriz formidável, que consegue actuar personagens distintos em ambas as versoes, tendo em mente que alguma vontade superior e estranha está a jogar aos dados com o destinho dela. Eu senti isso. Foi bom. Assim, temos alguns jogadores neste tabuleiro, e todos têm as suas vidas dramática e profundamente mudadas pelo acontecimento único que dividiu o tempo do personagem de Gwyneth.

A cinematografia, e o tom da história marcam o ambiente. O que mais me impressionou foi a sensaçao clara de que o filme cria um pequeno sítio que posso visitar e onde me posso esconder um pouco, como se estivesse a visitar a possível realidade das portas de correr criada para Gwyneth. Isto é trabalho de topo, e uma recriaçao quase perfeita de intimidade em cinema. No ecran e fora dele. É óptimo estar neste filme.

A minha opiniao: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve