Repo! The Genetic Opera (2008 )

“Repo! The Genetic Opera” (2008 )


Festival Sitges 2008

IMDb

narraçao progressiva

Uma coisa que me incomoda, e outras que apreciei: o ‘filme de culto’; para mim, filme de culto é algo que reúne a atençao de um número ou uma legiao (ou muitas legioes) de fas que, fascinados pelos símbolos e/ou personagens de determinado filme, seguem buscando novos signigicados, procurando sequelas, inventando histórias ao redor do filme, etc. Pelo menos, culto no tipo de sentido de um filme como este pode produzir. Nao me interessa especialmente essa noçao, prejudica a claridade de ideias que se pode ter ao ‘ver’ um filme, em vez de o venerar. Mas tudo bem. O que temos aqui é a ideia de lançar um filme etiquetado já como ‘de culto’? Isso é um estatuto que o tempo e a dedicaçao dos fas deveria dar, ou nesta altura essa noçao está tao arruinada que ‘culto’ se tornou um género? Que estratégia comercial barata…

Tirando isso, o filme está relativamente bem feito. Ainda nao vi as sequelas de Saw que Bousman dirigiu, mas provavelmente este é um projecto muito mais pessoal para ele, logo onde podemos compreende-lo melhor. Houve um esforço enorme na criaçao e credibilizaçao de um mundo detalhado, e eu sempre aprecio isso. Mundo futurista, inumano, horrível, paranóico e pos-caos. Nao há uma visao especialmente inovadora no lado narrativo (a nao ser por uma coisa de que falarei), ou em assuntos puramente cinematográficos. Todos os esforços foram apontados para a imagem. Gostar ou nao dessa imagem é uma questao de gosto pessoal, creio. Eu gosto de espreitar estes ambientes gore de vez em quando, apesar de me sentir aí como um turista: gosto de ver, gosto de os viver, gosto de tentar, mas depois gosto de voltar para casa.

No entanto, encontrei um elemento de grande relevância, um aspecto narrativo interessante: o ladrao de campas (o personagem de Terrance Zdunich). Ele forma totalmente parte desse mundo, apesar de ser um marginal nele (criminoso, rouba campas para lucrar com isso), e dá-nos um balanço interessante, uma espécie de ligaçao entre nós e o mundo absurdo em que estamos a entrar. Ele conta-nos coisas, ele ‘narra’ muito do que vemos, e fala (canta) directamente para nós, na maioria das vezes. Isto é muito interessante, há já algumas experiências que trabalham este tipo de ligaçao audiência-filme; Cusack em Alta Fidelidade ou Willis em Die Hard, entre outros. Este trás algo novo, e nao depende tanto da abilidade do actor para o fazer, mais do dispositivo musical, no qual Zdunich teve uma particiaçao como compositor. Interessante…

Essa música aproxima-se do metal progressivo que os Dream Theater dominam hoje em dia, e desde há algum tempo. É um tipo de música que estabelece um ambiente e o ajuda a construir, mas que tem substância. Eu gosto, pelo balanço que trás e pela ambiguidade entre mundos musicais. Logo, em coerência com o que se passa neste filme. Coincidência ou nao, eu gostei disso.

A minha opiniao: 4/5

Este comentário no IMDb

0 Responses to “Repo! The Genetic Opera (2008 )”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve