Your Name Here (2008 )

“Your Name Here” (2008 )


Festival Sitges 2008

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realidades coaguladas

Esta foi uma visita morna a uma mente muito quente.

Antes de ir ao que Phil Dick escreveu, os seus escritos chegaram até mim na forma dos filmes que foram feitos sobre eles. É provavelmente comum que isso aconteça, como o é com vários outros escritores. Blade Runner é, até este momento, o melhor e provavelmente um dos poucos (muito) bons filmes que trabalham o seu sentido de um sentido de realidade(s) inventado e a sua exploraçao de paradoxos de identidade, e deslocamentos de realidades. O que ele mais apreciava era provavelmente jogar com a ambiguidade e construir mundos a partir daí. Ele usa linhas narrativas, histórias, para agarrar essas noçoes. No caminho, ele cria ficçao científica meditativa e auto-reflexiva. Lamentavelmente, as suas histórias sao feitas de tal maneira que podem ser apropriadas como meras histórias, sem aproveitar o sumo real por trás da estrutura básica e visível. Por isto temos tantos filmes maus feitos sobre os seus escritos.

Agora temos este. Gostei da experiencia, mas nao pude ignorar as suas falhas. O filme está escrito com um personagem central que é um alter-ego de Dick. Mas a escrita do filme em si também é um espelho da escrita de Dick. Assim, o guionista (que também é o realizador) tenta ser Dick a brincar com Dick, no seu jogo, fazendo o que ele fazia melhor. Para isso monta uma mente complexa, multidimensional, e leva-nos numa viagem com ela. Ele pega na ideia de realidades paralelas que Dick obsessivamente explorou, e circula dentro e fora delas. Lança ambiguidades em relaçao a se estamos dentro ou fora de um mundo ficcional forjado pela mente ou se estamos numa realidade ‘real’, e vai misturando elementos de cada realidade, em última análise fazendo-nos recebê-los todos misturados. Cada realidade surge envolvida em alguma história de Dick. O problema é que apesar de aqui se tentar muito jogar com manipulaçao visual, através da ediçao, e através de dispositivos visuais, no final as histórias só valem pelo seu valor como linhas narrativas. Nao há a verdadeira ambiguidade que Dick colocaria e que, idealmente, nos faria funcionar racionalmente, e funcionariam como estimuladores cerebrais. Esta foi uma (por vezes) agradável viagem à mente de um personagem ficcional. É entretenimento, e nao era suposto ser.

Bill Pullman foi mal escolhido. Ou pelo menos representou um personagem mal moldado. Ele faz lembrar profundamente o Robin Williams de ‘o bom rebelde’. Esse era um tipo seguro, alguém que jogava direito, que nao corria riscos, porque a vida o tinha tornado medroso. Nao o tipo de pessoa que se drogaria para chegar ao fundo de novas realidades, e conhecer o sentido da vida. Ele simplesmente nao passa a energia certa.

Por fim, o que realmente me aborreceu: a conclusao. Depois de todo um filme construído sobre um mundo indefinido e que muda constantemente as suas regras e pressupostos (realidades) e a diluir as diferenças entre si, temos um médico que literalmente explica em termos científicos claros absolutamente tudo que tínhamos assistido, e desmistifica todo o jogo, tirando assim qualquer interesse por qualquer meditaçao posterior ao filme.

A minha opiniao: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve