Vicky Cristina Barcelona (2008)

“Vicky Cristina Barcelona” (2008)

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Vicky Cristina Algures

Que desastre. Tão mau, tão pouco conteúdo, nenhum interesse narrativo (como Woody costumava dar) e uma terrível leitura/generalização de uma cidade.

. os triângulos amorosos, com Bardem como o vértice comum. Isto não tem nem o sentido cómico, de exploração narrativa que Woody Allen costumava dar nos dias de Annie Hall nem o sentido de exploração de uma tensão sexual de, por exemplo, Henry e June. Ele coloca personagens de papel e fá-las oscilar em torno de cenários (mal escolhidos), fazendo-os parecer retardados com diálogos inúteis, que sublinham como uma história de perigoso balanço amoroso/sexual nunca poderia acontecer com estas pessoas tão superficiais e mundanas;

. a voz off: que insulto. Woody Allen era um realizador sensível quando fazia os seus melhores trabalhos, ele construía narrativas que convidavam o espectador a descobrir, tornava-nos parte do processo, fazia-nos segui-las, dava-nos um pêssego, e deixava-nos descascá-lo. Como pôde ele pensar que precisávamos de uma voz aborrecedora a contar literalmente todas as acções inúteis ou cada pensamento óbvio de cada personagem? Qual era o objectivo? Não confiou na sua capacidade de produzir uma narrativa visual que nos deixasse perceber as coisas sozinhos?

. Barcelona, ou fosse qual fosse a cidade onde ele filmou. Estou contente por ter visto o filme em Barcelona, porque pude sair do cinema e verificar que o que havia visto foi uma cidade que Allen quis colocar no filme, não a coisa real. Ele era tão bom em embeber Nova Iorque (Manhattan) nos fluídos das suas narrativas, do seu tipo de histórias, o seu tipo de personagem, que realmente me desiludiu, mais que qualquer coisa, que ele falhasse tão completamente aqui. Barcelona não está afinada com o flamenco. A própria definição de “cidade espanhola” pode ser algo controverso (na verdade, qualquer cidade real é uma unidade própria, mas essa é outra discussão) mas se alguma definição para essa ideia pode ser encontrada, Barcelona estará certamente fora dela. Como pôde ele colocar uma tal quantidade de clichés turísticos espanhois aqui? Ele até cria um personagem que estuda “identidade catalã”. Onde estava essa identidade? Ela está a aprender espanhol, não catalão, e a vida que leva na cidade (não a vida ridícula com o marido ridículo, mas a vida que escolheu ter) é algo que poderia ter em qualquer outro sítio, não era preciso ir para Barcelona. As prostitutas que Scarlett fotografa são provavelmente o mais próximo que temos de uma cidade real neste filme. Gaudí aparece apenas como um ponto alto dos clichés assumidos, filmado de forma tão evidente como em qualquer filme de promoção turística.

É uma pena, não é bom ver um realizador inteligente, e intuitivo, cair nos poços de vulgaridade que ele visitou aqui. O único aspecto minimamente interessante aqui é como ele rejeita e se opõe à futilidade da alta classe social americana que em tempos dava o sumo e sabor aos seus diálogos, no seu trabalho enraizado em Nova Iorque.

A minha opinião: 1/5

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1 Response to “Vicky Cristina Barcelona (2008)”


  1. 1 alagueFub Abril 14, 2011 às 6:32 am

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve