You Only Live Once (1937)

“You Only Live Once” (1937)

IMDb

um alemão em Hollywood

*** Este comentário pode conter spoilers ***

Este filme é de uma altura em que Fritz Lang ainda queria (ou pensava que podia) continuar na América com o tipo de filmes que estava a fazer na Alemanha. Temos um tema com anotações sociais, um ataque fútil à moralidade do sistema e ao preconceito. É vazio, e é superficial. Lang era bom na manipulação de imagens, e em criar cenários poderosos que pudessem, por eles mesmos, transmitir um ambiente, normalmente opressiovo, talvez uma antevisão do que o nazismo se tornaria e o que simbolizaria para a civilização ocidental.

Mas aqui ele tem de se submeter ao seu novo ambiente. Por esta altura, as diferenças que Lang poderá ter encontrado em relação ao seu contexto anterior tinham provavelmente sobretudo que ver com um certo controlo efectivo que ele terá perdido em relação às escolhas dos seus filmes. Este é um filme americano, mais do que um filme de autor, e vê-lo implica compreender o que isto significa. O resultado, neste caso, é um desastre total, para mim. Há apenas umas poucas coisas que merecem ser vistas, mas mesmo essas podem ser encontradas com uma envolvência muito maior, e logo com um efeito muito mais poderoso, noutros filmes:

– uma dessas coisas é quando sentimos a capacidade de criação visual de Lang. Aqui temos dois momentos particularmente interessantes: um é quando Fonda está encarcerado e esperando a sua execução. A prisão está concebida para termos a luz a passar por ela e produzir o efeito claro-escuro que vemos. Isto é sublinhado pela posição superior que Lang dá à sua câmara, como ele gostava de fazer, para nos dar a sensação de que alguma força exterior/superior controlava o que está por detrás do que vemos. O outro momento é o nevoeiro com vultos que caminham indefinidos na cena da fuga da prisão. Tal como com a jaula, este é um momento de tensão e de importância neste enredo sem importância. Suponho que Lang, não tendo podido cobrir todo o filme com as suas ideias visuais, tentou pelo menos reter estes momentos. Vale a pena ver estes excertos, mas eles existem em melhores contextos.

– a outra coisa que vale a pena é ver Fonda. Antes de Marlon Brando, ele é um dos poucos que compreendeu o que era necessário um actor fazer para fazer um filme funcionar. Ele é muito contido, mas ele caminha, fala, e expressa-se para a câmara, para o filme. É um prazer vê-lo mas uma vez mais, há melhores sítios onde podemos apreciar plenamente as qualidades dele.

A minha opinião: 2/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve