Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull (2008)

“Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” (2008 )

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memórias queridas

É interessante ver este tipo de sequelas, ou prequelas, de heróis passados, filmes clássicos. É interessante porque podemos fazer um balanço das mudanças, o que era e o que é, mudanças em quem criou os filmes, nos espectadores, e em nós próprios.

Cresci a ver vezes sem conta alguns filmes (e algum tipo de filmes) que moldaram, em maior ou menor grau, os gostos cinematográficos da minha geração, em geral. Estes filmes incluíam os velhos filmes do Indiana Jones. Eles eram novos, devem ter chocado positivamente as audiências desses dias – eu nasci no ano do segundo filme por isso não posso avaliar como as coisas eram então; de facto estou demasiado ligado a esses filmes para os poder comentar com justiça como filmes, apenas tenho a minha memória pessoal deles. Mas enquanto tínhamos então novas ideias, criadores frescos que criavam um novo ambiente, novo entretenimento cinematográfico, agora não temos nada disso, claro. Agora temos o mesmo grupo de criadores, mas sem coisas novas a dar. Por isso usam as suas memórias pessoas do que fizeram, e usam a relação carinhosa entre as audiências e os filmes – o público alvo jovem dos anos 80 ainda vai aos filmes hoje em dia, mais as gerações mais jovens, como a minha.

– assim, é interessante ver o que temos aqui, apesar da sua pobreza relativa como filme ou mesmo como entretenimento: nos últimos 20 anos aconteceram novas coisas em cinema, novos códigos foram implementados e aceites por audiências regulares. Die Hard, Arma Mortífera, a influência do estilo de luta de Bruce Lee nos filmes de acção ocidentais, ou mais recentemente a série Bourne, tudo foram séries que progressivamente mudaram o que as audiências esperam dos novos filmes que saem. Se virmos os filmes Bond todos, cronologicamente, vamos verificar como essas expectativas foram mudando ao longo dos anos. Isto significa que os filmes Indy dos anos 80 são clássicos, extremamente bem feitos, mas entretanto coisas foram acrescentadas ao que tinha sido feito aí, e um ‘novo’ indiana jones não consegue ser agradável para as novas audiências como os antigos. As audiências mudam.

– as pessoas envolvidas também mudaram. Sim, temos Spielber, Lucas e Harrison Ford na aventura. Temos até Karen Allen, a amante original do Indiana, que fecha o círculo, e liga gerações, e os filmes. Mas eles já não são novos. Neste momento parece-me que eles estão sobretudo a divertir-se, e a dar-se a oportunidade para reviver velhos dias, mais do que realmente tentarem fazer o melhor filme possível. Por isso é que temos todas as referências aos velhos filmes: o armazém do início, a Arca, Marion Ravenwood, o pai de indy, Marcus, a cena da bicicleta na biblioteca (Indy diz exactamente o contrário sobre como ser um arqueólogo do que tinha dito em ‘a última cruzada’) etc… os fãs de indiana jones podem encher esta lista com pormenor. Aparte dessas, temos referências a outros filmes. Isto é interessante. Spielberg referencia a cabeça do seu ET de 82, o cadáver do corpo do extraterrestre parece-se muito com o outro. Uma ligação interessante é a Brando: Mutt Williams é, claro, o Brando de ‘the wild one’ na primeira vez que aparece no ecran. Esse filme é de 1953, este supostamente acontece em 1957. A luta do café também foi buscar as partes em conflito do ‘the outsiders’ de Coppola, de 1984. Assim, em vez de termos uma pesquisa sobre as roupas desses dias, etc, tiradas de fontes confiáveis, temos aspectos visuais históricos retirados de outros filmes. É bem conhecido que Indiana Jones, na sua origem, era suposto ser um herói antiquado, baseado em velhas histórias de aventuras. Nunca foi baseado na vida, antes na fantasia. Apreciei a coerência.

– Por último, algo mais mudou nos últimos 19 anos: eu. Eu estava disposto a Não questionar certas coisas que agora posso não aceitar. As aventuras de Indiana Jones sempre tiveram que ver com auto sublimação, enraizadas em histórias irreais, ficcionais, historicamente não suportáveis. Tudo bem. Aceitava isso. Aqui questionei coisas, creio que perdi parte da minha inocência (fé?).

Devo dizer que uma coisa realmente me impressionou aqui, que foi o trabalho de câmara. Spielberg sempre foi bastante competente na forma como a move e nos faz encontrar/seguir/sentir o que ele quer. Aqui ele tem momentos brilhantes, alguns mesmo melhores que os dos velhos filmes. A explosão nuclear foi fantástica neste aspecto, e a sequência inicial no armazém também.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve