Yo puta (2004)

“Yo puta” (2004)

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Yo nada

Isto é um completo desperdício de ideias eventualmente interessantes. Gosto de realizadores que tentam ultrapassar canônes pre concebidos e formas de contar histórias. Nos dias de hoje, os melhores ensaios cinematográficos que se podem encontrar têm que ver com a reformulação de dispositivos narrativos e história, e num segundo plano, ideias visuais renovadas. Se o olho está em conformidade com o dispositivo narrativo, temos grandes filmes.

Aqui temos um trabalho de alguém que provavelmente concorda com o que disse acima mas, pelo menos esta tentativa (a segunda, confiando no IMDb) foi completamente desfocada, inútil, sem gosto. É um trabalho terrível, queria ser muito, tentou fazer coisas de uma forma imaginativa, mas o resultado final é um desastre originado, creio, na falta de sensibilidade de quem o engendrou.

Assim, contam-nos uma narrativa ficcionalizada, por camadas. Isto significa que temos um grande número de linhas a seguir (aqui associadas com diferentes prostitutas. O dispositivo escolhido é o falso documentário. No meio desta falsidade assumida, temos uma linha de ficção, com Richars, Hannah e Almeida. O problema é a rigidez com que esta construção é feita, e o pouco imaginativa que ela se torna no seu desenvolvimento. O que quero dizer é, as actrizes que representam prostitutas (realmente creio que todas eram actrizes, só tive 1 ou 2 dúvidas) são um cliché completo, alguém se sentou e pensou “quantos tipos de prostituas, e motivações para a prostituição, e condições sociais de prostitutas existem?”. E nada mais. Temos a ninfomaníaca negra africana, temos a brasileira com ar de disponibilidade sexual, temos a latino-americana descendente de índios, temos a acompanhante de classe alta (que é francesa!), temos o prostituto masculino. Temos aqueles que gostam do que fazem, aqueles que o fazem por dinheiro e aqueles que não têm outra escolha. Tão inútil, tão superficial, tão aborrecido, uma perda de tempo. Há grandes exemplos de falsos documentários sobre realidades meio reais (estando ‘F for fake’ no topo dessa lista) que é terrível que alguém pudesse fazer isto como o vemos. Qual é o sentido de retratar pessoas que parecem prostitutas, falam como vários estereótipos de prostitutas falariam, actuar como prostitutas, vivem como prostitutas, mas na verdade são actores? A pergunta é: porque não colocar prostitutas reais e fazer um documentário real se não há manipulação, não há intenção alguma por trás da ideia do falso documentário?

Depois, para concluir, a história ficcional. Uma estudante de antropologia, virgem, que estuda a prostituição. A sua vizinha é uma prostituta e devido a problemas financeiros, ela acaba por entrar no mundo. Qual foi o sentido? No final, isto desenvolveu-se como os documentários comuns dos canais de televisão, História, Biography, Odisseia, etc. Com uma diferença: com esses documentários, pelo menos poderemos eventualmente retirar factos interessantes, se não os conhecemos, e se queremos ser distraídos (eu não quero) podemos confiar nos terríveis momentos encenados.

A resolução visual do filme está de acordo com a inutilidade das escolhas narrativas. Na maior parte do tempo temos mulheres destacadas de algum contexto onde estavam a falar, e coladas sobre fotografias de hoteis baratos onde a prostituição ocorre. Outras vezes temos truques visuais, de imagens deformadas, e cores altamente saturadas.

A minha opinião: 1/5 evitem.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve