Angel-A (2005)

“Angel-A” (2005)

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Luc Besson mais tranquilo

O filme é doce, é açúcar, e tocou-me. O que Besson faz toca-me sempre. Ele tem qualidades que eu não reconheço em nenhum outro cineasta francês: ele confia na intuição, e não é pretensioso. Creio que a segunda é uma consequência da primeira. Também penso que ele é um realizador mal interpretado.

Ele não desenvolve os seus filmes em torno de construções narrativas ou histórias especialmente inteligentes ou complexas. Mas ele constrói tudo no olho, ele é puramente visual na sua narratica e no ambiente que cria para os seus filmes, e é isso que realmente aprecio nele. Ele tem ideias visuais para agarrar as histórias inúteis que conta. Mas essas histórias, apesar de superficiais e mundanas na maioria das vezes, ajudam-no a construir o modo cinematográfico, tal como ajudavam a Hitchcock. Uma boa forma de provar o que estou a dizer é ver alguns dos filmes que Besson escreveu sem realizar. Normalmente temos filmes de acção, acéfalos e inúteis. O que ele escreve só faz sentido quando é ele quem dirige. Por isso é que temos cenas de acção nos seus filmes (não neste). Ele na verdade não é um realizador de acção, não no meu dicionário. Mas é mal interpretado como sendo um, muitas vezes mesmo desprezado como sendo um realizador de acção.

Aqui ele tenta fazer algo que ainda não tinha tentado antes (ele sempre tenta coisas novas). Não utiliza tanto o trabalho de câmara (a vários momentos eu duvidei mesmo que ele tenha estado na concepção dos planos) como criador de um ambiente. Ele tenta fazer isso com a cidade e a fotografia.

O primeiro plano é claro e diz-nos tudo. Temos um personagem que mente sobre si mesmo, e imediatamente após, sofre fisicamente com essas mentiras. Um homem que tenta ser ele mesmo. Ele terá uma loira sexy para o ajudar, e teremos o envolvimento romântico que esperamos. É tudo. É superficial, e descartei o interesse intrínseco da história desde o início. Temos de nos focar nas cores. Não é preto e branco, é uma cor dessaturada, com predominância no azul. É subtil, tão subtil como normalmente o são os movimentos de câmara de Besson. Mas realmente senti a falta daqueles movimentos profundos, que exploram espaço como se uma cidade fosse o espaço submarino tão querido de Besson, que ele até já filmou. Este filme é doce, mas não é muito mais que isso. Precisei da relação Reno-Portman de Léon.

A minha opinião: 3/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve