Novo (2002)

“Novo” (2002)

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nada para além do que vemos

Este filme é confuso e desfocado. Tenta ser demasiadas coisas, e falha em conseguir alguma delas com sucesso.

O filme queria ser uma história de amor dita de uma perspectiva diferente. Queria jogar com a memória como creadora de realidade, ou algo capaz de definir uma certa realidade. Queria estabelecer a ambiguidade em relação às motivações e em relação a quem controla o que vemos; quem está a submeter a realidade do que vemos à sua visão específica. Também queria usar o sexo, e personagens de motivações sexuais (sobretudo femininas) como uma cola cinematográfica que juntasse tudo isto. Consigo pensar em vários filmes para cada uma destas intenções frustradas que resolvem o seu tema específico com mais sucesso que este. Não conheço um único filme que resolva bem tudo ao mesmo tempo. E se encontrar um, creio que não será pelos autores deste. Pelo menos a avaliar pelo que vi aqui.

‘Memento’ brincou com as noções e os efeitos da memória a curto prazo, e a perda de memória com muito maior profundidade. Aqui, temos as perdas de memória como o dispositivo que permite ao nosso personagem tornar-se a marioneta de outros e fazer o que outros querem. É o necessário para ele ser instável e para lançar a dúvida sobre quem ele é, o que ele quer. Noriega fez o papel equivalente em ‘Abre los ojos’, que era muito mais interessante. Nesta questão, até ‘o cão zarolho’ explorava melhor o tema!… Aqui temos ligações que existem para percebermos a evolução do amnésico, as artes marciais, as sessões de fotos, o bloco de notas. Mas nada disso é realmente usado. O final desenrola-se como uma situação romântica comum de encontro e decisão sobre que mulher o protagonista vai eleger (que se vê a milhas de distância).

Assim termina como a história de amor que o filme também quer ser. A parte da ‘mulher que ama o homem aceitando-o pelo que ele é’. É vulgar, mas tem uma nova roupagem, para parecer novo. Mas se paramos e pensamos, não há absolutamente nada que mereça ser mencionado sobre essa história. Se querem formas renovadas de juntar um ambiente de amor e a criação de realidades alternativas, tentem Medem. Em ‘los amantes…’, em ‘Lucia y el sexo’, em ‘La ardilla roja’. Ele consegue fazer isso. Por coincidência (ou não), aqui temos até a Lucia de Medem (Paz Vega) como a mulher do protagonista doente que, nos seus momentos de recuperação, fala espanhol…

Depois temos as tentativas de jogar com as forças que controlam o que vemos. Sabemos quase sempre tanto como o personagem principal. E praticamente todos os personagens (excepto o rapaz e a mulher que ama o protagonista) têm intenções ambíguas (tirando o facto de que levamos o nosso tempo a perceber onde cada um encaixa, isso é uma coisa boa). Dão-nos uma uma sucessão de factos que não podemos julgar correctamente. Mas depois compreendemos que o filme se desloca para parte nenhuma, e o que vemos é o que realmente é. Não há viragens, não há revelações, o que parece estar a acontecer está realmente a acontecer. Não significa que tivessemos de ser enganados, mas deveria haver alguma intenção por trás da ideia de lançar ambiguidade em cada canto. Vejam ‘Oldboy’, se querem trabalho de mestre em relação a estes conceitos.

A minha opinião: 2/5 isto é uma confusão, mas tem alguns conceitos interessantes se começarmos a pensar o que isto poderia ser.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve