My blueberry nights (2007)

“My blueberry nights” (2007) (O sabor do amor, PT ; Beijo Roubado, BR)

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Qual é a profundidade do seu amor?

Até onde nos levará Wong Kar Wai?

Tenho passado tempo com o trabalho dele. Tempo de qualidade. Suspeito que passarei muito mais tempo com ele, em anos próximos. Ver um filme de Kar Wai é uma grande aventura, se quisermos ter mais que entretenimento, se queremos aprender algo, e sobretudo, conhecermo-nos a nós mesmos melhor. O que se passa é que com Kar Wai não temos conteúdos, não temos cenários e objectos, temos sim espaços entre nós e as paredes, distâncias entre personagens, entre nós e esses personagens. Nos filmes dele, encontramos o que levamos connosco para a sala de cinema. Ele constrói o espaço em que podemos ser nós mesmos. E ainda adiciona algo dele mesmo a esse espaço. Por isso é que ele sempre coloca elementos que indicam distâncias, e que me colocam a mim nesse espaço. Neste filme específico, esses elementos têm muito que ver com as palavras pintadas na montra do restaurante de Jude Law.

Este filme inicia, claro, uma nova fase no trabalho do realizador. Pelo que posso dizer, ‘Chungking Express’ marcou o culminar de uma certa exploração, e ‘Disponível para amar’ (e 2046) culminou uma segunda linha que explora como a imaginação funciona. Agora ele começa algo novo. Para já está indefinido, esta ‘tarte’ que ele nos dá tem o sabor da mistura das duas fases anteriores dele. Isto porque ele dá-nos histórias circulares, destinos dinâmicos, e a ideia de que se pode construir o amor com a imaginação. Mas depois, todo o filme está completamente vazio, e o espectador pode definir a sua própria história com os elementos que lhe dão no ecrán. A história não existe, é apenas uma sucessão de eventos que seguimos para fazer as nossas próprias conexões. Kar Wai está a mexer-se num novo ambiente, num certo sentido ele não tem noção das reacções que encontrará, tal como o personagem de Norah Jones no seu caminho. Há todo um mundo novo que ele toca, explora, passo a passo. Kar Wai prefere deixar as coisas indefinidas, ou esquissadas, do que construí-las numa base errada. Há um episódio relativamente famoso em relação a este filme: Kar Wai colocaria Jude Law limpando o gelado da cara de Norah primeiro, e beijando-a depois, mas quis saber como um ocidental o faria. Ele está a aprender, tanto como eu aprendo sempre que toco um dos seus filmes.

Christopher Doyle está fora deste (aparentemente também estará fora do próximo filme de Kar Wai). Isso foi bom no sentido em que eu precisava de compreender quanto do mundo visual e do trabalho de câmara pertence efectivamente a Doyle, e quanto é Kar Wai. Aqui, o realizador está procurando novas cores, e um novo tipo de ambiente, mas o trabalho de câmara tem muito que ver com o passado. Doyle aparentemente tem mais que ver com um ambiente expresso através da fotografia, a subtileza está aparentemente nas mãos do mestre.

Um aspecto interessante é observar a competência das actuações. Realmente acho que Norah Jones se destaca, a sua actuação funciona porque ela não sabe actuar, e o ambiente do filme é o ambiente da sua música, assim ela está naturalmente bem aqui. Jude Law é bastante inteligente, ele compreende o que é suposto fazer para estar “in the mood”. Ele é um dos bons actores que temos hoje em dia. Portman e Strathairn são competentes, mas pareceu-me que Weisz estava muito pouco à vontade com o que estava a fazer. Creio que é interessante parar um minuto pensando porquê: o que se passa é que ela estava pouco natural, de uma forma que eu nunca tinha visto nela. Ela nunca foi brilhante antes deste filme, mas sempre achei que era competente para permitir as coisas fluirem bem. Não aqui e creio que isso tem que ver com a falta de orientação, o tipo de orientação que Rachel necessita, e que Kar Wai não lhe dará. Isto diz algo sobre Weisz e sobre Kar Wai. Interessante.

Por agora tenho uma exposição relativamente grande a Kar Wai, mas esta foi a primeira vez que tentei chegar aos significados e a minha reacção ao trabalho dele pela escrita. Estou a aprender, estou a descobrir novas coisas. Prefiro deixar as minhas opiniões ainda indefinidas, ou incompletas. Poderei completá-las em futuros visionamentos/escrita. Tal como num filme de Kar Wai.

A minha opinião: 4/5 não perca este, não perca nada que Kar Wai faça, os seus sonhos podem depender disso.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve