Phone Booth (2002)

“Phone Booth” (2002)

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cinema centrípeto

Isto podia ter sido memorável. Tinha um conceito interessante detrás, mas quem executou arruinou-o. Suponho que em grande parte a responsabilidade devia ser atribuída a Schumacher. Ele é incompetente, ele vai com a maré, ele faz o que quer que as audiências consumam facilmente, e não se interessa por cinema ou como pode construi-lo numa base visual. Os seus filmes funcionam para mim como poluição visual, a estratégia dele é encher o olho com todo o tipo de imagens para substituir a falta das suas próprias ideias.

Assim, algumas coisas boas perderam-se aqui: Este filme é, num certo sentido, o oposto do que Hitchcock fez em Janela Indiscreta. Esse foi uma obra prima, porque nos colocava dentro do olho de um observador, e o mundo do filme é tudo aquilo que ele é capaz de ver. Nem mais, nem menos. Tirando alguns poucos planos especiais, recebemos um mundo com as mesmas medidas do de Stewart. Isso foi especialmente bem feito, e a história desenvolve-se visualmente. Aqui tínhamos o oposto. O mundo está centrado num personagem, como em Janela indiscreta, mas a forma como vemos esse mundo é completamente oposta, o que significa que não vemos o mundo como Farrel vê (pelo menos não tantas vezes), temos antes Farrel de vários ângulos e pontos de vista:

. o atirador furtivo, ele é o mais próximo de deus que temos, ele sabe tudo, incluindo o que levou à situação que observamos, ele tem o olhar superior, ele controla a acção, todo o tempo;

. o polícia, ele esforça-se por perceber as coisas, no início ele é tão ignorante como todos os outros, mas acaba por descobrir algumas coisas;

. a esposa e a amante, cada uma ignora a existência da outra, e sabem apenas o que Farrel quer dizer-lhes;

. a imprensa, esta é a entidade que tem de concluir, que tem de fingir que sabe, mas a sua participação aqui é praticamente nula;

Havia estas 4 linhas, mais a versão pessoal de Farrell. Isto já foi bem explorado em cinema, como explorar várias linhas narrativas, começando com Citizen Kane, e continuando com uma série de outros projectos importantes ou meramente interessantes. Este perde-se com truques de edição completamente inúteis, edição sonora inconsequente, fogo de artifício inútil. Pelo menos desta vez não vemos mamilos nas roupas do herói.

A minha opinião: 2/5 alguns conceitos interessantes, mas execução terrível.

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1 Response to “Phone Booth (2002)”


  1. 1 Halloween77 Abril 19, 2008 às 11:42 pm

    Não concordo com esta visão tão pessimista do filme, no entanto também penso que este poderia ter sido bem melhor… Para mim Phone Booth foi um filme que proporcionou uma excelente hora e meia de entretenimento, mas que perdeu uma bela hipótese de ser memorável. Porquê? Bem… basicamente por quase tudo o que disseste, principalmente pela abordagem feita à imprensa e polícia. Quanto a Joel Schumacher, é um realizador inconstante, capaz de tudo, desde bons filmes como Tempo de Matar e Tigerland, médios filmes que podiam ter sido muito bons, como este e filmes deploráveis como quase todos os outros que realizou, incluindo os seus horríveis Batmans…


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve