Die Fälscher (2007)

“Die Fälscher” (2007)

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uma nova abordagem

Tendo em conta todos os filmes que já foram feitos sobre a opressão nazi aos judeus, este é inteligente na forma como constrói os seus personagens e a sua abordagem ao tema.

O que se passa é, os criadores aqui são suficientemente competentes, especialmente na cinematografia, que segue Rembrandt, uma tradição belíssima no que toca ao uso da luz, e a construção de um ambiente. Com isto falo de imagens onde a luz é uma massa com a forma do objecto iluminado no meio de um ambiente escuro, mas nunca, ou quase nunca, percebemos a fonte da luz, é como se ela irradiasse do próprio objecto. Isto faz-nos focar no centro da composição com especial concentração. Coisas comuns, aspectos miseráveis, tornados especiais por estarem num local escuro. Isto tem tudo que ver com a segunda guerra, e as profundas da miséria humana. Mas apesar desta fotografia, o resto é apenas competente, a câmara foi carinhosa em alguns momentos, mas apenas (falso) documental em praticamente todo o resto. As actuações são boas, e Markovics e os escritores merecem crédito, porque fizeram algo que eu nunca tinha visto num filme de Holocausto.

Assim, não temos bem e mal, isso ganhou o meu coração imediatamente. Verificamos as falhas, e o mau carácter do falsificador logo do início. Ele tem tantas falhas como qualquer outro homem, talvez ainda mais. Ele finge, ele falsifica dinheiro, ele finge para sobreviver, ele está interessado em sobreviver, não em salvar o mundo. “um dia é um dia”, diz ele. Todos os judeus que trabalham com ele pensam da mesma forma, excepto o idealista. Todos os judeus querem apenas sobreviver, e eles são os sortudos, uma ilha de relativa paz na ilha que é o campo de concentração. É interessante como acabamos por os invejar pelo seu quase nada, comparado com o nada que a maioria tinha. Creio que essa sensação que temos ao ver o filme, é provavelmente comparável à sensação que os judeus reais teriam, ao viver a situação. Isto é um feito interessante. Assim, temos um ângulo diferente, um que não santifica as vítimas, e coloca-as na esfera real do mundo com falhas onde eles viviam, antes da guerra, antes dos nazis. Para alguém que está 2 ou 3 gerações afastado da guerra, como eu, isto representa uma abordagem muito mais interessante. Claro que o realizador tem apenas 47 anos agora, também é evidentemente pós-guerra.

Uma coisa não funcionou para mim, pelo menos achei que foi mal utilizado. Tango. Está assumido, desdo o início, todas as adaptações de Gardel, muito boas, mais sensuais mas menos viscerais que o Gardel original. Realmente não percebi a ligação. Porquê Tango? No início tentei compreender e adivinhar onde iria encaixar, mas não encaixou, não para mim. Vou tentar compreender isso.

A minha opinião: 4/5 vejam este

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4 Responses to “Die Fälscher (2007)”


  1. 1 The Nader Abril 10, 2008 às 4:49 pm

    Mais um a não perder! (O oscar deve querer dizer alguma coisa…)

  2. 2 Bruno Madeira Maio 10, 2008 às 12:21 am

    Olá Rui!

    Ótimo site, ótimas críticas! Adoro ver filmes e gosto de tentar conhecer um pouco mais da arte lendo e ouvindo comentários de mais entendidos no assunto. Continue assim!

    Até,
    Bruno

  3. 3 ruiresende Maio 18, 2008 às 11:27 pm

    Obrigado pelo comentário animador. é sempre bom ser apreciado nos comentários e opiniões que dou. Espero que continue a ler, e comente sempre que queira.

  4. 4 Marco Setembro 2, 2012 às 6:25 pm

    Gostei da sua visão sobre o filme. É bem o que penso mesmo.

    O Tango foi por causa da Argentina mesmo e tem uma certa relação com o nazismo. Quando os nazistas perceberam que a derrota seria questão de tempo, começaram a falsificar passaportes, mudar seus nomes e fugir com suas famílias para a américa do sul, mais especificamente para a Argentina, onde começariam uma nova vida com novas identidades e emprego.

    Na época, a Argentina de Perón era simpatizante do nazismo e, em conjunto com o governo alemão e o Vaticano, refugiou inúmeros oficiais nazistas.

    Se você gosta de livros, recomendo “Caçando Eichmann”, são fatos reais sobre a caçada do serviço secreto israelense ao nazista apontado como responsável pela morte de milhões de judeus. Eichmann estava refugiado na Argentina e dá uma bela visão sobre o pós-guerra, Israel, nazismo e Argentina. É o tipo de livro onde você não consegue parar de ler. Não sei como ainda não fizeram um filme baseado nessa obra. Seria um ótimo filme. E foi o livro mais legal que li ano passado.


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve