Helvetica (2007)

“Helvetica” (2007)

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Como um futuro arquitecto, eu senti-me próximo do que estava em discussão aqui. A evolução de muitas das concepções, concepções vulgares, do que arquitectura deveria ser ou, como o design gráfico deveria ser encarado, é bastante similar. Assim, temos design, aqui representado pelas diversas fontes de escrita, que surgem como resposta a uma necessidade, uma representação de um certo momento no tempo, ou o ícone de determinada postura política ou de vida.

O título do filme é uma criação do modernismo, e isso significa que funciona, tenta ser universal, e é durável, em termos visuais. Isso não impede que seja um potencial alvo de críticas. O que se passa é, a natureza humana não permite que os humanos permaneçam iguais sempre. Isso porque a mente humana é criativa. Ao mesmo tempo, os homens gostam de fórmulas. Gostam que lhes digam o que está certo, gostam de confiar. E na verdade, com a excepção de um número reduzido de artistas que têm/tiveram o génio para produzir trabalho gerado numa realidade qualquer paralela, algo que Platão descreve, a vasta maioria dos mortais necessitam referências, fórmulas (mesmo que lutem contra elas), necessitam de restrições, como alguém disse neste documentário. Assim, à Helvetica podem-se juntar muitas fórmulas, as caixas modernistas da Bauhaus, os espaços transparentes de Mies, tudo foram criações que nasceram de mentes criativas e que foram massivamente adoptadas, com resultados notáveis ou com gradual perda de interesse, contexto e qualidade. No final, creio que todos somos, em maior ou menor grau, conservadores e radicais, conformistas e revolucionários, Helvetica e manual, Gropius e Gaudi. É na oscilação entre estes extremos que a criatividade humana funciona, e nos conflitos que existem nesta evolução. Por isso, quem és tu? Que riscos estás disposto a ter? Quão novo estás disposto a ser?. Se fosse (for) americano, em quem votaria? Obama ou Clinton? A ideia por trás do que está neste filme, é que as escolhas que tu fazes definem quem tu és. Mas há um senão. Estamos a falar de escolhas sobre as criações dos outros. As pessoas defendem que a Helvetica faz parte delas, mas também faz parte da American Airlines. E uma janela é aberta, no final do filme.

O facto de, hoje, a democracia tecnológica permitir a alguém ter um poder de comunicação e personalização muito maior dos nossos “bilhetes de identidade”. Pessoalmente não creio que a tecnologia estimule a criatividade, aumenta as opções, sim, mas isso apenas nos dá um maior catálogo de “fontes”. O nosso poder de inovar é o mesmo, com ou sem computadores. Eu até creio que os tempos fantásticos que conseguimos obter ao trabalhar com um computador podem matar o processo criativo, a partir do momento em que nos apressamos a fazer coisas só descobrindo que não são as opções certas quando já é demasiado tarde para mudá-las. Mas é fantástico que hoje uma pessoa possa produzir um filme completo com um telemóvel, ou saber todas as coisas de determinada área de conhecimento com pouco ou nenhum dinheiro. Vai levar vários anos para nós compreendermos que trabalho importante pode ser criado com as possibilidades que temos hoje. Sou céptico, mas também encorajo as possibilidades, e penso sobre o que poderemos fazer com elas. E é realmente apaixonante estar vivo e poder participar no processo. Escrevendo com Helvetica, ou manualmente…

A minha opinião: 4/5 vejam este

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1 Response to “Helvetica (2007)”


  1. 1 The Nader Março 31, 2008 às 8:11 pm

    Parece ser bem interessante!


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve