The Secret Life of Words (2005)

“The Secret Life of Words” (2005) (A vida secreta das palavras)

IMDb

um cenário que actua

Este filme parte de um princípio lindo, um que está em contacto intenso com os temas e a forma dos personagens. Esse princípio funciona porque as actuações o permitem.

Este filme é sobre ser incompleto, pessoas anormais que fogem de situações normais – quaso o contrário o tipo de drama mais comuns estes dias, pessoas normais em situações estranhas.

Há grandes pistas para se compreender visualmente o que os 2 personagens principais sentem física/profundamento. Assim, os personagens estão numa ilha, uma ilha artificial, auto-absorvidos, e disfuncionais, como a plataforma petrolífera. Ela é surda, e capaz de decidir se quer ou não ouvir, ele está temporariamente cego. Compreendi a surdez como alguém que pode decidir se quer estar na ilha (pelo silência absoluto, ou pelo ruído constante da fábrica onde trabalha quando não é uma enfermeira). A cegueira temporária foi o processo pelo qual o personagem de Robbins é forçado a “ouvir” (sinónimo de compreender) em vez de “ver” (sinónimo de preconceber).

A forma como a conclusão apareceu, com a revelação do passado da rapariga surgiu-me como natural, e confirmou que as tensões, revelações, etc todas chegam na verdade pelos planos na plataforma petrolíferas, que fala connosco e revela mais do que os diálogos, esse é o interesse deste filme. Por isso é visual. O dispositivo conta a história. A oposição entre interior e exterior ajuda. Temos sobretudo câmara manual para os diálogos, e travelings para os exteriores.

Eu sabia que Tim Robbins era competente. Por vezes ele é fantástico. Ele é um actor inteligente, um daqueles que é um artista por direito próprio que tem uma porção criativa muito grande nos projectos onde trabalha, ele tem o seu próprio ‘método’. Sarah Polley foi uma surpresa. Ela tem talento, ela projecta o personagem internamente, ela é muito contida, mas sempre emocional. Não tenho a certeza quanto a isto, mas ela lembra-me em parte o tipo de actor que Henry Fonda era (e a sua filha também). Vou seguir a carreira dela. Ela realizou um filme recentemente, estou interessado em descobrir como ela transportou as suas qualidades como intérprete para o campo da realização.

Isabel Coixet tem um toque pessoal, não é original, ela não arrisca muito, mas referencia bastante bem os cineastas que segue. Gosto disso. Esta experiência vale a pena, é algo que nos pode tocar profundamente se tivermos a capacidade para entender as abstrações das interpretações minimalistas e projectar essas abstracções na forma como o cenário está filmado. Isso é interessante…

A minha opinião: 4/5

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1 Response to “The Secret Life of Words (2005)”


  1. 1 José Marcos Junho 27, 2008 às 1:59 pm

    Obrigado, muito obrigado mesmo por esse texto, que me iluminou a respeito deste filme cheio de emoção e de significado. O seu texto foi o melhor que li, dentre mais de quinze… O filme ficou mais bonito agora… Muito mais bonito… Irei vê-lo novamente…


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve