Breaking and Entering (2006)

“Breaking and Entering” (2006)

IMDb

visual, mas pouco vigoroso

Interessa-me muito o trabalho de Minghella. Há uma poesia visual transversal a todos os seus filmes, bons ou maus que, apesar claramente enraizados em referências específicas, são bastante pessoais e honestos. Muitas vezes tenho a impressão que ao longo de todo o filme ele está apenas a mostrar uma única imagem, que é distorcida, desvanecida, ligeiramente mudada. Assim ele é coerente no seu próprio mundo. Ele é abstracto na forma como cria sensações e sentimentos que podem não estar directamente relacionados com a história ou os personagens do filme. E tem um elemento que sempre joga em concordância com o que ele pretende: a música de Gabriel Yared. Quando (se) eu comentar no Paciente Inglês, todas estas observações serão mais significativas e farão mais sentido (apesar de eu sentir aí a necessidade de explorar estas ligações com mais intensidade). Mas, em geral, estas são as características que prepassam os filmes de Minghella. Este não é excepção. Ele escolhe uma localização, facilmente identificável (Londres), e coloca aí a sua narrativa visual poética. Ele constrói a sua própria cidade dentro da localização real. Não admira que o protagonista seja um arquitecto. Apesar de tudo, o filme tem pouco que ver com arquitectura.

O que se passa aqui é que há cineastas que operam (independentemente do que façam) sobretudo num mundo espacial (Welles, Antonioni, Tarkovsky, dePalma…) e outros enraizados em imagem, em enquadramento (Wenders, Lynch, Lang, Antonioni outra vez…). Minghella é um deste segundo tipo. Ele baseia a sua narrativa visual em imagens enquadradas, e as possibilidades que isso traz à nossa imaginação. É como se o filme que vemos aqui fosse a maqueta que o jovem ladrão constrói ao longo do filme, e os personagens fossem os modelos humanos escalados que ele coloca lá. A necessidade de escapar (ou a necessidade de mudar) aparentemente conduz o destino desses personagens. O rapaz que procura o espaço abstracto (arquitectura em processo) para escapar à sua realidade marginal, Binoche que procura o caso amoroso para escapar à sua solidão, Law que participa no mesmo caso para escapar à sua difícil vida familiar. A banda sonora de Yared tem aqui uma ambiguidade interessante entre uma visão épica e um ambiente contido. Onde eu creio que este filme falha (ou pelo menos não funciona como outros filmes deste realizador) é na sua falta de energia. É menos vigoroso que “mr ripley” e menos meditativo que “english patient”. Suponho que é coerente dentro do mundo que mostra, mas esse mundo não é tão eficiente ou interessante como o mundo dos outros dois filmes. Vejo este como um trabalho menos bom do realizador, mas vale a pena ver uma vez.

A minha opinião: 3/5

Este comentário no IMDb

1 Response to “Breaking and Entering (2006)”


  1. 1 Halloween77 Março 8, 2008 às 2:39 am

    Filme interessante, mas nada por aí além… Bem pelo menos foi melhor que O Paciente Inglês que detestei, mas isso já é uma questão de gostos…

    Continua com o bom blog que tens


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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve