Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007)

“Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street” (2007)

IMDb

(demasiado) clássico

Este filme está feito a partir de uma linha clara, que é pervertida e torcida de acordo com a visão própria de Burton montar as coisas. Temos a música como “números” no tipo de construção que os musicais americanos clássicos usavam, e que era já usada na ópera italiana (sobretudo bel canto). Esta estrutura usa canções onde a ópera usava as árias (momentos de reflexão), e os diálogos onde a ópera colocava o recitativo (desenvolvimento de acção). Burton não tenta nem por um momento mudar isto. Tudo bem para mim. Apesar do género musical ter ganho algum interesse renovado nos últimos anos (Moulin Rouge destaca-se aqui), creio que é aceitável recuperar a forma clássica. Sobre essa estrutura bastante dsenvolvida (e reconhecível), Burton coloca a sua visão pessoal. As suas preocupações têm muito que ver com imagem, o poder de uma visão, um ambiente, e também têm algo que ver com espaço. Quando ele é capaz de concretizar essa visão com força (Batman, Ed Wood, Edward…) ele permite-nos uma experiência profunda, visual, e duradoura. Batman foi especialmente bem feito, porque é profundo espacialmente, para além de visualmente.

Este filme é trabalho menor, no grande quadro dos filmes de Burton, para mim. Creio que isso acontece porque nada do que se vê aqui é fresco. A forma base, mencionei-o, é clássica, e este Burton também é clássico. As quebras que ele introduz eram em tempos originais e porque eram novas, eram espontâneas. Aqui, as coisas são previsíveis. Suponho que o efeito pretendido seria algo como um contraste entre o que estamos habituados com um musical com Gene Kelly ou Fred Astaire, e a imagética gore/Burton que inclui sangue em quantidade, ambiente negro, personagens torcidos (aqui todos são torcidos, excepto a “velha” mulher e o jovem amante). Esse contraste é sentido em alguns momentos, funciona como algo divertido, enraizado num sentido cómico do absurdo, basicamente coisas estranhas e a forma como reagimos a elas.

Depp e Bonham Carter são uma boa equipa, creio que aqui é mais eficiente até do que o mediático Depp/Burton. Johnny Depp é alguém que está para lá do “método” e, a meu ver, ele está a dar passos em frente no caminho que Brando percorreu na sua vida artística. Suspeito uma coisa em relação a ele, mas preciso de confirmação, que poderá vir de algum filme importante que ele venha a fazer num futuro próximo. Ele começou a sua carreira na esteira de Brando, alguém que eliminou dos seus personagens o excesso dramático, o tipo de actuação que distrai, mais adequada ao teatro que ao cinema. Ele compreendeu a actuação em cinema como actuação a 3 dimensões, significando que ele representa um personagem, mas sobre isso ele sobrepõe significados, anotações pessoais, um tipo de profundidade impossível de alcançar em teatro (John Malkovich e Bruce Willis criaram versões pessoais deste tipo de forma de actuar). Agora, suspeito, Depp está de alguma forma a voltar a essas raízes teatrais. Ele está a denunciar o ‘palco’ propositadamente, ele está a permitir que a audiência perceba que ele realmente está a actuar, a representar, em cima de um palco. Não sei onde ele pode estar a ir com isto, pode até ser simples impressão baseada em papéis mais recentes, mas estou realmente interessado em seguir esta linha que Depp poderá estar a construir. Por agora, não me desagrada o que ele faz, mas vou verificar onde ele quer chegar.

A minha opinião: 3/5 há melhores viagens a fazer com Burton, e com Burton/Depp

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2 Responses to “Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007)”


  1. 1 Halloween77 Março 8, 2008 às 1:18 am

    Filme interessante, mas nada por aí além… Bem pelo menos foi melhor que O Paciente Inglês que detestei, mas isso já é uma questão de gostos…

    Continua com o bom blog que tens

  2. 2 Halloween77 Março 8, 2008 às 2:38 am

    Isto de ter comentários no cimo do post atrofiou-me todo. Aqui está o comment no sitio certo…

    Eu achei o Sweeney Todd, um dos melhores filmes de Tim Burton (só não vi O Charlie…). Os diálogos/melodias estão excelentes, a fotografia idem, a banda sonora divinal, tendo apenas algumas falhas no que toca a caracterização de uma ou outra personagem, principalmente a de Alan Rickman, que para mim é demasiado sub-aproveitado no filme.
    Eu daria 4/5…


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve