Byt (1968)

“Byt” (1968)

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Cinema codificado

Este foi o meu primeiro contacto com Svankmajer. E que impressão forte tive! Ele está ‘rotulado’ com o movimento surrealista, e é frequentemente colado aos outros nomes do surrealismo em cinema. Por este filme sozinho, não verifico nada que possa ser chamado surrealismo, excepto por algumas escolhas estéticas, e alguma física do mundo do filme. Isto porque o surrealismo sempre teve que ver com a procura de transmitir através da arte estados de (in)consciência que estão para além da auto-consciência. Exemplo maior, os sonhos. Coisas que não podemos controlar, que não são materiais, não podemos tocar, que acontecem em tempo indeterminado (em forma e duração). Nada disso está aqui. Isto tem, claro, um discurso político velado nas entrelinhas. Temos um personagem a quem é dito onde deve ir, ele segue setas que levam a onde quer que alguém queira. É-lhe dado tudo, mas ele não consegue provar nada. Levam-no a portas, mas lhe permitem que as abra. Dão-lhe comida, mas é um cão que a come. Todo o filme passa totalmente dentro de um apartamento. Claro que isto é (ou poderá ser) a metáfora directa da União Soviética, a cortina de ferro, todos esses elementos que motivaram muitos cineastas e artistas a criar arte que pudesse expressar o desespero e a insatisfação sem alertar os censores. Isso não é surrealismo. É, no entanto, uma experiência fantástica. Não sei muito sobre animação checa, ou cinema checo, mas estou disposto a explorar. Vi uma curta, há pouco tempo, ‘Prílepek’, foi uma boa experiência feita por alguém que aprendeu com certeza muito desta referência checa que é Svankmajer. Assim, pressenti um trabalho em continuidade que me interessa explorar, por isso vou procurar mais destes trabalhos.

O que temos aqui (e esse aspecto é o mais próximo que conseguimos estar de surrealismo neste filme) é um mundo que define as suas próprias regras. Falo de regras físicas. É um mundo onde o comportamento dos materiais e objectos não é o mesmo que o do nosso mundo real. É possível um homem fazer um braço atravessar uma parede, ou uma cama desintegrar-se completamente como se estivesse a ser comida. É isso que nos leva para outra dimensão, isso e a edição e ritmo frenéticos. O stop-motion é notável, e o nível técnico muito muito elevado aqui.

A minha opinião: 4/5 não percam este.

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve