Ace in the Hole (1951)

“Ace in the Hole” (1951)

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Abutres

“i don’t make things happen, i just write about them”

*** Este comentário pode conter spoilers ***

Este é o filme que Wilder realizou depois de Sunset Boulevard. Este é um facto importante. Ele estava nesse momento, sinto, imerso em vários assuntos, alguns que dizem respeito à sua postura perante a vida e a indústria do cinema na América, e outros temas dizendo respeito a sua exploração pessoal do noir e das suas possibilidades narrativas. A minha opinião é que Wilder levou a concepção original do noir aos seus limites com Sunset Boulevard. Assim, num certo sentido, ele esgotou o noir na sua primeira fase com esse filme. Este foi uma espécie de bónus, um último fôlego dessa concepção primitiva do género.

O cerne narrativo aqui está na escrita, tal como em Sunset… . Temos várias entidades que são responsáveis por “escrever” visualmente o que vemos, e que lutam ao longo da história para estar em controlo dos factos:

. os ‘sete abutres’, as crenças dos nativos. eles são responsáveis, pelo menos suspeitamos, pelo aprisionamento de um homem, que motivará todo o ‘circo’ (ou foi pura coincidência? destino?)

. o personagem de Kirk Douglas, ele mesmo responsável pelo relato de todo o evento, durante uma boa parte do filme. Ele é como um deus quando escreve (e inventa) tudo o que vemos (ou melhor, a audiência externa no próprio filme). Isto é interessante porque não temos Douglas como um detective noir, alguém que é tão cego acerca do que está por trás dele como nós os espectadores, como normalmente temos nas construções noir. Assumimos que ele manipula tudo, apesar de suspeitarmos que ele vai perder controlo.

. a plateia. O circo que Douglas chamou para sua auto promoção vai tomar controlo, como um monstro de várias cabeças (ou pior, de nenhuma cabeça); Douglas permite que isto aconteça, já que ele perde controlo (emocional) com o desenvolvimento da história;

Estes 3 elementos sozinhos fazem a nossa construção. Isto torna-se noir quando Douglas se torna vítima e não deus, e temos de questionar quem está em verdade a controlar tudo o que acontece. Terá sido na verdade uma ‘maldição’ dos Índios?, foi algo que poderemos chamar destino?, (Douglas corria de cidade em cidade terminando naquela cidade com uma tumba índia!). Este filme não é bom ou influente como a obra-prima que Wilder realizou no ano anterior, mas é um bom filme. O facto de que o detective aqui se torna escritor e tenta controlar tudo dá a pista de que aqueles por trás deste projecto tentavam aqui quebrar as convenções noir e levá-lo para outro nível. Isso não aconteceu aqui, este não é um filme importante, foi mesmo um falhanço comercial. Mas foi uma boa tentativa.

A minha opinião: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve