Prílepek (2006)

“Prílepek” (2006)

Cinanima 2007

IMDb

Pernas

Isto é trabalho muito interessante. Não é realmente animação (já que todas as imagens são gravadas e não “criadas”) mas assisti a ele num festival de animação. Apesar de tudo, é guiado pelo mesmo tipo de liberdade de pensamento em relação às regras físicas e realidades/mundos criados que tem as boas animações. Por isso justifica-se a sua inclusão num festival de animação. Realmente há vários elementos aqui que retiveram a minha atenção:

. o entendimento do cinema como uma sucessão de imagens. Há, na minha opinião, duas linhas possíveis de pensamento quando queremos levar definições ao limite: uma é considerar o cinema como “imagens em movimento”, a outra é considerá-lo como “sucessão de imagens”. Os filmes mudos eram, sobretudo pelas suas limitações técnicas, compreendidos pelo espectador como uma sucessão de imagens, e o cinema nasceu sobre esta base (na verdade, toda a câmara é na verdade um criador de fotografias em série). Depois temos esse filme importante e genial que é La Jetée, onde Marker deliberadamente elimina o movimento “dentro” da imagem (excepto por um subtil plano de um olho) e faz um filme a partir de imagens que se sucedem (e sim, é cinema no meu dicionário). Aqui temos um compromisso entre ambas as formas: imagem que se transmuta, e sucessão de imagens. Na prática, isto aparece neste filme na forma como a edição está (muito bem) feita, com uso constante de várias imagens separadas que vão mudando rapidamente e contando a “acção” ou os comuns 24fps que dizem ao nosso cérebro que estamos a ver na verdade uma imagem que muda a cada momento (realidade?). Isto é um aspecto realmente interessante neste filme.

. o ponto de vista. Temos um protagonista que passa todo o tempo deitado no chão olhando, tocando, sentindo. A colocação da câmara (e a troca constante de posições, edição uma vez mais) é muito inteligente na forma como nos dá grande consciência do chão e das sensações do protagonista. Temos uma grande sensualidade no toque das pernas, pequenos planos dentro das saias, roupa interior, o olhar de baixo para cima para as pernas. Isto é um trabalho de sensibilidade, e uma forma refrescante de mostrar um velho (o mais velho?) tema.

Vejam este.

A minha opinião: 4/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve