The quiet american (2002)

“The quiet american” (2002)

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Diolacton

*** Este comentário pode conter spoilers ***

Isto é bom trabalho. Cheguei a ele porque revi recentemente o Talentoso Mr. Ripley de Minghella. Este aqui tem Minghella como produtor executivo e, de facto, tem muita da sua força sobretudo no ambiente que ele sempre consegue dar aos seus filmes. Esse ambiente é baseado em contextos culturais específicos e sempre completado por fortes presenças musicais (aqui temos outra banda sonora bastante boa).

Aqui temos algo particularmente interessante: o plano inicial. Ele é composto por um plano estático de uma paisagem sobre o rio em Saigão. Vemos mais de metade do écran preenchido com a água do rio, barcos sobre ela e casas e bombas/explosões num último plano. De repente, a câmara move-se, e descobrimos um corpo morto dentro de um barco mesmo por baixo de nós. Tudo isto é completado por sons de explosões e uma narração em voz off feita por Caine, de significado importante para todo o desenvolvimento. A cena tem (como muitas primeiras cenas dos filmes) a capacidade para nos levar para o mundo específico do filme. Temos de apreciar a economia de meios com que esta foi feita.

Agora temos, portanto, o modo, o ambiente, temos a guerra, uma sociedade oriental, e tipos estrangeiros envolvidos. Agora o tema cinematográfico (em relação estreita com a história contada): tudo isto está construído À volta do que se “vê”. Cada facção do conflito (a guerra histórica e o conflito dramático que envolve os nossos 3 protagonistas) tem a sua forma particular de Ver as coisas e faz esforços permanentes para submeter o mundo a essa visão. Assim temos comunistas, os franceses, o general The e a “terceira via” (americanos). Eles vêm as coisas à sua maneira e tentam fazer as outras pessoas verem as outras facções da forma que eles mesmos as vêm. Verifiquem:

– as bombas que uma facção coloca para pôr as pessoas a pensar que foi a outra facção que o fez;

– o personagem de Fraser que se faz passar por um assistente médico (que por acaso cura uma doença dos olhos!) enquanto na verdade se move em segredo para criar as coisas que quer que as pessoas vejam (e interpretem de determinada forma);

– Diolacton, o produto que passa por ser uma substância usada em vários outros produtos (entre os quais supostamente para fortalecer as armações de óculos!!) mas na verdade é um composto usado para produzir bombas;

Depois temos o nosso triângulo amoroso. Fraser (como participante) e Caine (como observador, um homem que “vê”) ligam esta história ao ambiente global. A visão de Phuong é na verdade a da sua irmã: casar com um homem ocidental que possa casar-se. Ambos procuram o seu interesse pessoal para conseguir a rapariga.
Toda a construção é inteligente, o ambiente é bem ritmado (e a primeira cena tem muito que ver com isso), e a música é realmente poderosa na forma como conduz as emoções, quase substituindo o que noutros filmes seria passado através da acção física. O elo fraco aqui é Fraser. Ele não é a pessoa certa para o papel que aqui é realmente importante, como pivot, um elemento que desestabiliza. Interessam-me alguns dos seus trabalhos como comediante, mas claramente ele não sabe muito bem o que fazer aqui, e várias vezes aparece cómico onde deveria ser intenso (de uma forma dramática). Caine é muitas vezes em outros filmes apenas vazio e agarrado à sua postura britânica como modeladora dos seus papéis mas aqui ele realmente compreende o trabalho que tem de fazer, e cumpre. Ele é o actor “tranquilo”, não Fraser.

A minha avaliação: 4/5

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve