Live free or Die Hard (2007)

“Live free or Die Hard” (2007)

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Nova acção, velhas memórias

Há elementos interessantes aqui:

. Este filme está inserido numa tendência recente para filmes de acção que creio ter começado com o primeiro Bourne (mas posso estar enganado, estou sempre a procurar as origens de vários elementos e muitas vezes encontro raízes em projectos mais antigos que eu não conhecia). Essa tendência (influência) tem muito que ver com estilo, e normalmente inclui um tipo de fotografia azulado, e uma forma aparente dura de representar as cenas de acção/luta. Também tem que ver com o trabalho de câmara que é muitas vezes segura manualmente e opta-se por não mostrar a acção completamente clara na sua totalidade, como se fôssemos nós próprios intervenientes; assim acabamos por “olhar” para outro local qualquer que não aquele onde a acção efectivamente toma lugar. Este “estilo” já foi usado (com mais ou menos destes elementos) em projectos recentes como a série Bourne, Syriana, mesmo Casino Royale e, claro, este quarto Die Hard.

. O engraçado aqui é o seguinte: o Die Hard original foi muito original na forma como a audiência se relacionava com o herói (Willis é o responsável por isto) mas também na forma como ele representava as suas aparentemente não coreografadas cenas de acção (apesar de este tipo de luta ter provavelmente começado com o Indiana de Harrison Ford). Assim, neste filme, depois de tantos anos de degeneração das cenas de acção a interpretar (muito mal) filmes orientais, temos Willis a lutar na sua forma “trapalhona” contra a rapariga a lutar à “oriental”. Esse momento é um virar de página. Interessante.
. O tema foi bem escolhido nesta lógica de produzir um novo filme protagonizado por um velho herói. Esta dependência enorme dos computadores é o que mais mudou nos últimos 20 anos. Assim, por trás da ideia básica do “velho herói num mundo novo” temos outro conceito interessante, que é como o “mau” luta contra o “bom”, sem acção física. Alguém achou estranho que o nosso viciado em computadores fisicamente desenvolvido não morresse após uma dura luta corpo a corpo com o nosso McClane? Isto é apenas curioso mas torna-se interessante quando daí conseguimos compreender que a nossa mente tem mudado na forma como esperamos que uma cena de acção se desenvolva. Ah e esta paranóia acerca do terrorismo global não é nova, mas ganhou novas formas após o 11 de Setembro, naturalmente, na vida real e nos filmes (os filmes não só seguem a vida, mas ainda ajudam a criar a paranóia, as instituições de poder usam estes mecanismos, especialmente entre os americanos, assim aquela sequência com as falas dos vários presidentes americanos editados é irónica no sentido que mesmo que pensemos que eles estão a ser manipulados, somos nós na verdade, a audiência, especialmente a americana, quem está a ser manipulada).

. De qualquer forma, o filme tem falhas, e realmente senti falta do diálogo interno que o “velho” McClane costumava estabelecer com a audiência. Este velho que se chama McClane é quase uma caricatura do outro. Temos o sabor (é essa a exigência básica para os fãs de die hard, mas está muito longe do tipo de mecanismo que estabeleceu novos padrões para o actor de acção, tão apreciado em produções comerciais desde então – Cage repetidamente copiou isto, veja-se o “cómico” Con Air).

A minha avaliação: 3/5

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve