Chaplin (1992)

“Chaplin” (1992)

IMDb

Mais cinema, menos informações…

As curiosidades do IMDb relativas a Attenborough diz em relação ao seu pensamento cinematográfico: “As filosofias incluem acreditar no conteúdo em detrimento do estilo e na sinceridade mais do que na inteligência.”

Por vezes estes aspectos resultam nos seus filmes, mas o facto é que, na arte, a sinceridade é quase sempre obtida por meio da inteligência e a honestidade tem pouco que ver com a verdade. Chaplin sabia-o e por isso nenhum dos seus filmes são “verdadeiros” no sentido estrito da palavra, mas todos são, acima de tudo, honestos. Por isto não gostei deste filme: porque falhou em chegar ao “conteúdo” do trabalho de Chaplin. Attenborough é, apesar de tudo, muito competente, assim como o seu trabalho de câmara, muitas vezes bastante interessante (apesar de, neste tema, assim como na edição, ser melhor ver A bridge too far) e esse aspecto torna parcialmente interessante o tempo gasto.

“-o que fazemos? – Sorrimos”

Para mim, Chaplin é um dos sinónimos de emoção em cinema. Os filmes fazem muitas vezes parte das vidas das pessoas. Muitos chegam a essas vidas condicionados pelo contexto, ou seja, são os que as pessoas tiveram a oportunidade (boa ou má sorte) de ver. Chaplin entrou na minha vida bastante cedo e, por muito tempo, nunca entendi exactamente o que ele fazia, não me lembro na minha infância de ver um filme completo dele, mas muitos excertos são parte das minhas memórias visuais (Chaplin para crianças). Crescer e compreender como todo o drama, toda a emoção (para além do “engraçado”) existe no seu cinema foi uma verdadeira revelação para mim e o portal para o cinema como arte. O “efeito palhaço”, o charlot sempre a sorrir às adversidades é sempre capaz de mostrar o belo e o horrível, o escuro e o brilhante, escuro no que mostra, brilhante no que consegue provocar. Isto é humanismo em cinema, na minha visão pessoal. Pelo que sei, Chaplin está no topo daqueles que dominaram esse aspecto (ou tentaram).

Neste filme em particular, a emoção é deixada para o fim; que é no entanto feito completamente seguindo Cinema Paradiso. Mas a sua força (do final) existe porque simplesmente mostra excertos de filmes de Chaplin. A opção melhor aqui seria, no meu ponto de vista, realçar o “conteúdo” em vez dos “factos”. Assim, de volta à citação no IMDb, o que creio que há aqui é uma diferente noção de “conteúdo” (diferente da minha) que, para Attenborough, resultou numa colecção (que eu creio ser um pouco aborrecida) de factos, levando o cinema para segundo plano. Neste filme Chaplin diz “se me querem conhecer, vejam os meus filmes”. Essa seria a chave.

Apesar de tudo, Downey Jr é muito muito forte aqui e a sua actuação física é realmente notável.
No entanto, como filme biográfico, a minha escolha pessoal ainda vai para o muito recente e relativamente desconhecido “life and death of Peter Sellers” já que chega bem mais fundo à alma do artista.

A minha avaliação: 3/5 em geral um falhanço, apesar de não ser muito mau de assistir (basicamente devido à actuação de Downey Jr e algum trabalho de câmara).

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve