Mary Reilly (1996)

“Mary Reilly” (1996)

IMDb

Malkovich, Jekyll e Hyde

Este filme causa-me desconforto. Suponho que seria esse o objectivo. Mas o que se passa é: com a distência do tempo tenho uma boa impressão dele, e a minha memória retém boa opinião. Mas enquanto o vejo, e já o fiz algumas vezes, não encontro razões que justifiquem as minhas recordações. Pensei sobre isso e creio que tudo se resume a um elemento, que é Malkovich. Julia Roberts é inútil, um ornamento, a rapariga que está ali para se assustar e representar o “caminhar no escuro enfrentando os seus próprios medos e vencendo-os”. Tudo bem com isso. Não tão bem quando ela supostamente deveria fornecer ao nosso Hyde o suporte e emprestar-lhe os seus medos e más memórias, ela falha completamente e esse é um ponto fraco. A direcção de Frears é correcta, ele compreende ritmo e como construir um filme respeitando o modo do enredo. Tudo bem.

Depois temos Malkovich. Ele tem uma forma de actuar que muitas vezes dá a sensação que ele não está a actuar de todo, quase como se ele estivesse sempre a ser ele próprio. Isto é uma sensação falsa e, na maioria dos casos, creio que resulta como aspecto positivo das suas actuações. De uma certa forma dá-lhe uma sensação de várias camadas, a dos personagens que representa, ele mesmo e a forma como ele compreende esses personagens, quase como se estivesse sempre a fazer anotações pessoais sobre o que sente sobre os seus personagens (estranhamente isto desvanece-se nos filmes de Oliveira, mas isso é outra história). Aqui neste filme este aspecto resulta de forma diferente. Por um lado ele não estabelece a oposição radical entre Jekyll e Hyde que poderíamos precisar de assistir. Por outro lado isto realça a ligação interior entre os 2 e a observação de que qualquer um contém Jekyll e Hyde em si, e a definição da nossa personalidade é a resolução desse conflicto interior. Este mesmo conflicto é o que Malkovich leva para a sua actuação (actor vs personagem comparável a Jekyll vs Hyde). Isto foi o que me confundiu e provavelmente o elemento mais importante a observar no filme.

A minha avaliação: 3/5, trabalho sólido, pontos fracos mas elementos interessantes, como referido.

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1 Response to “Mary Reilly (1996)”


  1. 1 lastprophet Outubro 1, 2007 às 1:14 pm

    Já decorre em http://www.blogoris.blogspot.com a votação para o melhor filme de Maio de 2007.

    Qual será o filme que se juntará aos quatro já escolhidos? Quem passará à lista dos doze finais?

    Vencedor Janeiro – Blood Diamond
    Vencedor Fevereiro – Tenacious D
    Vencedor Março – The fountain
    Vencedor Abril – 300

    Vota já em http://www.blogoris.blogspot.com!


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve