Girl with a Pearl earring (2003)

“Girl with a pearl earring” (2003) (A rapariga do brinco de pérola)

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Hiper-realismo e luz

Luz como um manto: a janela foi aberta e a luz entrou. Cobriu superfícies, cobriu alguém. Com Vermeer, tudo é sobre realçar as personalidades através de sombras e superfícies que definem almas. O século XVII holandês produziu Vermeer e Rembrandt. Ambos mudaram o significado da luz na composição e conteúdo e escreveram um capítulo fundamental da construção visual (composição). Mas enquanto com Rembrandt temos a luz como um foco, que domina e conduz os outros elementos, cuja personalidade e significado são moldados e submetidos a essa luz que o pintor escolhe, com Vermeer temos outra situação: luz como um manto, tranquila, pacífica luz, aquele que atravessa um copo numa manhã de sol e nuvens. Normalmente ele usa o mesmo tipo de luz, e permite-lhe descobrir o que há para descobrir no modelo (“you looked into my soul”). O resultado final é como uma fotografia abaixo da superfície do modelo (como a câmara escura que “mostra” a pintura). Este é um tema muito fascinante, e no que diz respeito ao cinema é, a meu ver, ao mesmo tempo bastante complicado de trabalhar e bastante tentador. Isto acontece porque o cinema é, por princípio, e até este momento, sobre imagem e este tema é também imagem, o que o torna completamente cinemático. Assim, esqueçam-se histórias, esqueça-se narrativas convencionais, para fazer este, tem de se fazer visualmente. E pedir uma ajuda à luz. É aqui que entra Eduardo Serra. Não é comum para mim concordar com a maioria das opiniões relativamente a quais são os pontos mais altos das carreiras das pessoas, mas aqui acredito realmente que este filme tinha as medidas perfeitas do trabalho de Serra. E ele cumpre. Toda a equipa e actores (obviamente isto é exagero) está aqui para fornecer a Serra algo para ele fotografar. E ele representa Vermeer tão bem… a fotografia é a presença mais forte de Vermeer no filme, a sua luz é um personagem. Não “existe” realmente, mas é tão física aqui. Assim, isto seria hiper-realismo no cinema; mais verdadeiro que a verdade. Aparentemente Firth seria uma falha, mas ele aguenta-se bem aqui, e Johanson é toda sobre cara, lábios, cabelo e olhar aqui. É assim que ela encaixa.

A minha avaliação: 4/5 Um filme muito bom sobre pintura que de facto é coerente com a arte que pretende trabalhar.
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2 Responses to “Girl with a Pearl earring (2003)”


  1. 2 daniely Março 5, 2009 às 12:21 am

    sab oq vc nao sab né entao eu tbm nao sei kkkkkkkkkkkkkkk caiu nessa né hahahahaha


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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve