Le Mari de la coiffeuse (1990)

“Le Mari de la coiffeuse” (o marido da cabeleireira, tradução livre)

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Intimidade e uma cena de amor

este comentário pode conter spoilers

Tudo isto é sobre intimidade. A cena de amor não tem nada que ver com sexo, apesar de ele entrar nela. O momento em que Mathilde se atira da ponte, toda essa sequência, do acto de amor na cadeira até à sua súbita escapada no meio da tempestade é tão aparentemente casual que se torna incrivelmente confrangedor. Tem um lugar nas minhas memórias como uma das cenas mais fortes que já vi.

Este filme retrata a espontaneidade, apesar de utilizar enredos completamente irrealistas, cenas, diálogos, etc. Como é isso feito? Através da mente. O que acontece é espontâneo não na vida real mas nas nossas imaginações. Pedir uma mulher em casamento, fazer amor com ela enquanto ela lava o cabelo de alguém, essas são fantasias, enfatizadas pelas danças indianas espontâneas, e a completa obscuridade lançada sobre o passado do nosso personagem

Os franceses são bons neste tipo de dramas/comédias do dia-a-dia, que aparentemente são naturalistas mas racionalmente são irrealistas (este tipo de filme está na origem do fenómeno Amélio Poulain). Suponho que estes filmes se seguram com base em 3 elementos fundamentais:

. personagens femininos sedutores (Audrey Tatou era sedutora de uma forma inocente, Anna Galiena é misteriosa, pessoalmente prefiro Galiena)

. capacidade cinemática de lidar com a abstracção nos elementos do enredo, abstracção nas definições dos personagens e com os aparentemente absurdos elementos (isto motiva a imaginação em filmar as cenas de novas formas, a nova vaga francesa era boa nisto, estes realizadores posteriores como Leconte aprenderam bem a lição, creio.

. uma imagem que confira uma unidade que se relembre após o visionamento (aqui tem que ver com luz, o cenário interior e cabelo, que unem todas as cenas). A luz aqui é, uma vez mais, o fruto do trabalho magnífico de Serra. A sua abordagem tem tudo que ver com o modo cinemático; eu elogiei o seu trabalho em Blood Diamond, reafirmo aqui a minha admiração por ele; ele realmente consegue adaptar-se às circunstâncias, ser ele mesmo e resolver os problemas sem ser excessivamente notado.

A minha avaliação: 4/5 Este é o equivalente francês de “la teta i la lluna” (que aconteceria 4 anos mais tarde) e recomendo o seu visionamento.

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Destaques

Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve