Ninguém conhece ninguém (1999)

“Nadie conoce a nadie” (1999)

IMDb

Sevilha merece mais

Tive uma decepção com este. Não porque fosse realmente um mau filme, mas porque podia ter sido feito algo muito melhor.

Cheguei aqui porque tenho estado interessado no cinema espanhol, e este podia ter-me chegado como algum merecedor apesar de não ser o melhor que Espanha tem para oferecer.

O filme segue a linha de Amenábar. Thrillers “fechados”, que apelam a uma busca interior, à resolução de conflictos em abstracto, vivendo mundos paralelos, paralelos a uma realidade que é tão “normal” quanto possível. Funcionou em “Abre los ojos” devido à dualidade mundo de sonho vs inferno. Aqui a mistura é entre vários mundos “estranhos” ou “não normais”:

– o sempre fascinante período das cerimónias religiosas na Andaluzia espanhola;

– o mundo do “jogo”, inventado pelo personagem de Mollà, através do qual Simón (Noriega) chegará à sua luta interior;

– Noriega, outra vez representando o seu personagem de “abre los ojos”, escolha segura da produção, sem riscos;

Isto falha devido a vários aspectos: um relacionado com a realização, que tem a ver com não ser capaz de “aguentar” interesse até ao fim, o filme morre completamente quando o centro histórico de Sevilha é trocado pelo local da Expo92. Isto leva-me ao segundo aspecto, escolher Sevilha no seu momento mais visceral, mais mediterrânico do ano, e construir sobre isso uma história “Amenábar” de completa abstracção interior é um falhanço por princípio. Nenhum enredo aguenta contra essas fortes tradições. Ou se faz um filme “sobre” Sevilha, sobre religião, e coloca-se conteúdo nessa base (foi seguindo esse caminho na primeira metade, apesar de tudo) ou então destaca-se a história de qualquer contexto perfeitamente identificável (exemplo uma vez mais: Abre los ojos) e constrói-se o que se quiser nesse espaço abstracto/normal/universal/etc. . Neste segundo caso, tem de interessa ao espectador com pensamento forte e boa construção. O primeiro caso é mais documental num certo sentido, mais “terra-a-terra”, o segundo pode (ou não) resultar mais inteligente.
De qualquer forma, tentar misturar ambos foi o falhanço aqui. Tudo bem, a banda sonora de Amenábar, na esteira de Herrmann, é boa, trabalha bem o modo, há bons planos de Sevilha, que exploram bem alguns espaços, e o nível geral de produção é bastante bom (os espanhóis estão agora e estavam já aqui num nível de produção excelente). Mas há coisas bem melhores para ver vindas deste país. De qualquer forma ainda procuro encontrar alguma coisa que valha a pena ver e que compreenda Sevilha, uma cidade fantástica à qual o cinema ainda não prestou o necessário tributo.

A minha avaliação: 3/5 (segura-se bem apenas pela produção, algumas caras lindas e os outros elementos bons que mencionei)

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Vou começar de forma mais séria a tratar o tema do cinema e espaço/arquitectura. Espero poder introduzir novidades em breve